“Nas entranhas da Misericórdia”, um quadro sobre o “Evangelho do serviço” em tempos de “cristianismo coaching”

Por @silverioalvesfilho

A relação necessariamente complementar entre fé e caridade é relatada em toda a Bíblia, especialmente no testemunho de Jesus e dos Apóstolos.

Há, porém, um capítulo que pode ser encarado como a declaração mais expressa nesse sentido: o capítulo dois da epístola de São Tiago. Lá, ele diz expressamente que a fé sem obras é morta (2,17). Se é morta, não conduz à salvação.

Como exemplo de boas obras apresenta expressamente a caridade, relativa às necessidades materiais do indivíduo (Tg 2, 14-17).

Para que não restasse dúvidas de que uma fé teórica e meramente individual não é uma fé verdadeiramente cristã, arremata: “Mostre-me a tua é SEM tuas obras, que eu te mostrarei a minha fé PELAS minhas obras” (Tg 2,18), chegando ao ponto de dizer que “crer em Deus até os demônios creem, e estremecem”(Tg 2, 19).

Infelizmente, em algum momento, o Evangelho do Serviço começou a dar lugar ao da prosperidade individual e, mais recentemente, ao “coaching”: em vez de “a fé sem obras é morta”, essas novas compreensões de cristianismo pregam algo como “a fé sem prosperidade financeira é morta” ou “mostre-me a tua fé sem crescimento pessoal, que eu te mostraria a mina fé pela minha prosperidade”.

Em tempos como este, considero pertinente lembrar de exemplos que, nos passos de Cristo e do Apóstolo Tiago, viveram um Evangelho do Serviço, servindo, por meio da fé, como instrumento do amor de Deus na caridade.

Por isso, de hoje em diante, todos os domingos, publicaremos um artigo ou um vídeo sobre os ensinamentos e a trajetória de Monsenhor Expedido, um padre católico do RN que sempre recordava, remetendo-se às palavras do seu amigo Dom Helder Câmara, que “Deus não o havia feito pastor de almas desencarnadas”.

Convidamos vocês a fazerem parte deste percurso “Nas entranhas da Misericórdia”.

Djalma da CAERN se aposentou depois de 36 anos de um trabalho exemplar

Na manhã desse sábado, 16 de julho, o editor deste blog, encontrou-se na feira de nossa cidade, com Djalma Lopes da Mata, Djalma de Bento, Djalma da CAERN, como é bastante conhecido em nossa comunidade. Uma pessoa simples, honesta, torcedor ferrenho do ABC, seu time do coração , amigo de todos (as).

Djalma, com bastante alegria (como sempre) nos comunicou de sua aposentadoria da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte, a quem serviu (e aos potengienses) de forma digna e correta por 36 anos, sendo 8 anos em Riachuelo e 28 anos, em São Paulo do Potengi.

Djalma, um verdadeiro exemplo de profissional, que ao longo de mais de três décadas e meia nunca mediu esforços para atender a contento a população dos mais diferentes locais de nossa comunidade, com o precioso líquido. Muitas vezes foi incompreendido, pois em determinadas situações, pela escassez da água não podia atender satisfatoriamente, a todos os que precisavam da mesma.

Com paciência e dedicação, ele sempre tirava de letra até que a situação se normalizasse.

Djalma, pelos seus 36 anos de serviços prestados aos potengienses, numa missão estratégica e (repito) por vezes incompreendida, merece uma homenagem dos moradores da terra de Monsenhor Expedito.

Parabéns amigo pelo seu exemplo de servir aos outros, de profissional e de ser humano… e tudo de bom.

“A Caça”, 24 horas sem provas contra Dom Jaime e o jornalismo de tabloide

Por @silverioalvesfilho
Editor do Debate Potiguar

À época da faculdade de Direito, por indicação de um professor da área criminal, assisti ao filme dinamarquês “A Caça”, que tem no papel de protagonista o grande ator Mads Mikkelsen.

Em linhas gerais, o filme conta a história de um professor acusado de abuso por uma criança. Ninguém na pequena cidade desconfia da veracidade da acusação, afinal era muito séria e feita por uma criança. Começa-se uma “caça” ao professor, levando à sua ruína. Ocorre que a acusação era falsa, motivada pelo ressentimento que a criança tinha em face do professor.

Em relação a acusações como esta, todos tendem a pensar que são, necessariamente, verdadeiras, dada a sua gravidade. E, de fato, na maioria das vezes são, por isso, dentre outros motivos, que nos crimes sexuais a palavra da vítima tem, como deve ter, um peso probatório diferenciado.

Não obstante, sempre há a possibilidade de que seja uma acusação falsa, e isso não pode ser desconsiderado, sob pena de possíveis ocorrências irreversíveis, inclusive. Basta lembrar do Reitor da UFSC, que, embora não fosse o caso de acusação de crime sexual, suicidou-se ao ter sua biografia devastada por uma ação irresponsável de um Delegado da Polícia Federal em busca de “publicidade”.

No caso do jornalismo, não há norma constitucional que preveja a presunção de inocência, vigorando como regra a liberdade de expressão (ou acusação). Apesar disso, a melhor compreensão ética, a meu ver, é a de que denúncias sérias como a trazida pelo jornalista Gustavo Negreiros em face do Arcebispo Dom Jaime deveriam ser publicadas, necessariamente, acompanhadas de provas robustas.

Gustavo disse que tinha as provas, mas não esclareceu ao certo se tinha as provas primárias em mãos ou apenas a declaração do ex-seminarista sobre as eventuais provas primárias o que, na prática, não seria prova nenhuma, mas declaração unilateral.

É possível, ainda, que Gustavo tenha as provas, mas queira divulgá-las aos poucos, para ver o Bispo “sangrar” e com isso ganhar engajamento e publicidade, no melhor estilo “lavajatista”, o que, a meu ver, deixaria sua atuação mais para Sikera Júnior, do que para Spotlight.

As denúncias são sérias e devem ser apuradas, mas penso que, quando vidas e biografias estão em jogo, o jornalismo deve considerar a presunção de inocência, denunciando apenas mediante a publicização das eventuais provas. É isso, dentre outras coisas, que separa o jornalismo sério de um tabloide sensacionalista.

Política e Responsabilidade

José Ferreira da Rocha

Política, no seu sentido verdadeiro, tem, como objetivo, criar uma situação concreta de bem-estar, na qual, todos vivam juntos, em harmonia e respeito mútuo. Assim, a ação política der ser considerada um ato de verdadeira qualidade. Grande parte da população relega o campo político e a organização do bem comum aos profissionais, reduzindo a sua participação, apenas, a votar e a criticar o mundo dos políticos.

No atual momento histórico, em que nos encontramos, nós Cristãos, temos uma grande responsabilidade política. Com a crise instalada, em quase todos os setores da Sociedade, não podemos ser omissos e indiferentes. Grande parte das funções, outrora, desempenhadas pelas Comunidades, hoje, passaram para as esferas político-governamentais. A Vida na Família, na Escola e na Comunidade depende cada vez mais da ação política. A Educação, a formação da consciência, os valores éticos e morais, a defesa e proteção da Vida, o amparo da Criança e da Velhice, tudo está sujeito a uma grande influência e interferência políticas.

Em face deste fenômeno da politização da Vida Familiar e Social, João Paulo II, na Exortação Apostólica ” CRISTIFIDELES LAICE”, afirmara categoricamente: ” OS Leigos Cristãos não podem mais omitir-se na Política”. Continuava o Papa, no mesmo Documento: ” Para animar cristãmente a ordem temporal, no sentido de servir ao bem comum, às pessoas e a Sociedade, os Fiéis Leigos não podem, absolutamente, abdicar da participação na Política, ou seja, na múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover, orgânica e institucionalmente, o bem comum”. Muito significativo é, também, o Ensinamento do Vaticano II: ” A Igreja louva e aprecia o trabalho de quantos se dedicam ao bem da Nação e tomam, sobre si, o peso do tal cargo a serviço dos homens”.

Assim sendo, a que somos chamados? Primeiramente, a tomar consciência de que o bem comum está acima do particular e do individual e requer uma organização, uma justa ordem. O individuo deve abrir seus horizontes pessoais em relação aos outros, para engajar-se, num compromisso coletivo a serviço de todos. Devemos todos nos inserir de corpo e alma, num esforço de conjunto, para o bem de todos. Mais do que nunca, nossa Pátria sofrida precisa de Cidadãos corajosos, pisando o chão dos obstáculos, dispostos a construir, onde os maus Cidadãos destroem e roubam. Precisamos, enfim, de Cidadãos que se comprometam e que vivam uma Política séria e responsável, a CIVILIS SCIENTIA, a ARS REIPUBLIAE GERENDAE, a CIVILIS PRUDENTIA, a RATIO REIPUBLICAE ADMINISTRANDAE.

  • José Ferreira da Rocha, é Bacharel em Letras pela UFRN, Professor, Escritor, autor de cinco livros, dentre eles, “Escrever, Um Doce Desassosssego”, onde está publicado o Artigo acima (paginas 53 e 54). José Ferreira é potengiense (irmão do Maestro Tiãozinho) e Membro da Academia Potengiense de Letras e Artes.

PSDB: o grande perdedor

Por Ney Lopes

As manchetes dos jornais nesta manhã de início de semana registram o PSDB em frangalhos e a terceira via seguindo sem rumo.

As prévias do partido fracassaram, por defeito no aplicativo eletrônico, o que levou o bolsonarismo a destacar que são procedentes as suas preocupações em relação ao software da justiça eleitoral.

Alguns ligados ao presidente disseram que “se não são capazes de administrar uma consulta interna, como poderão administrar o país?

A verdade é que o PSDB não conseguiu decidir neste domingo quem vai representar o partido na próxima eleição presidencial.

A sigla, que chegou duas vezes à presidência da República, mostrou-se incapaz de organizar suas próprias prévias.

Nos últimos anos, contrariou suas bandeiras históricas e se alinhou repetidamente ao bolsonarismo e ao Centrão.

A disputa dos pré-candidatos foi congelada, por enquanto, sem data para reabrir o processo.

Estavam aptos a votar 44.700 filiados ao PSDB, incluindo deputados federais e estaduais, senadores, governadores, prefeitos e vereadores.

Mas nem os maiores expoentes como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador licenciado José Serra, conseguiram apontar seus candidatos favoritos.

A incerteza estende por mais alguns dias o clima fratricida instalado no partido.

Além de tentar reagrupar os tucanos, o vencedor dessas prévias seria o responsável por seduzir os partidos que hoje não querem nem Lula, nem Bolsonaro, no que se chama de terceira via.

Entretanto, consolida-se a tendência de que os três principais partidos do Centrão (PL, PP e Republicanos) sigam com o presidente Jair Bolsonaro.

Pelas últimas pesquisas, nem Dória nem Leite —ambos eleitores de Bolsonaro em 2018— teriam potencial eleitoral no momento.

Nos cenários em que foram apontados como candidatos, tanto o governador paulista quanto o gaúcho chegaram no máximo a 4% dos votos.

O destino do PSDB afeta grande parte do espectro da centro-direita e da direita, passando por PL (que poderá ter Jair Bolsonaro), União Brasil e Podemos (de Sergio Moro).

A terceira colocação atualmente estaria em um empate técnico de Sérgio Moro e Ciro Gomes, que oscilam com 5% e 8% da preferência eleitoral.

A terceira via é hoje uma estreita rua supercongestionada, agora agravada pelo ocorrido nas prévias tucanas.

Mesmo assim, tudo poderá ainda acontecer.

A única esperança será o senador Rodrigo Pacheco lançar-se definitivamente como candidato e mostrar as suas ideias e propostas.

O PSD dispõe hoje de um articulador político competente, que é Gilberto Kassab.

Na sucessão de Itamar Franco, o candidato FHC surgiu quase de última hora e ganhou no primeiro turno.

Bolsonaro, também lançado sem chances, surpreendeu e venceu a eleição.

Antes das prévias, Doria e Leite anunciavam gestos de união para depois da divulgação do resultado, em tentativa de projetar imagem harmônica.

O fiasco deste domingo, no entanto, aumentou a fissura.

A pane nas prévias não foi só do aplicativo, foi do próprio PSDB e o único beneficiado é Moro, que amplia espaço no campo da terceira via.

Em conclusão, se pode repetir a expressão do jornal GLOBO:

“Entre uma pane e outra, o grande perdedor de domingo foi o PSDB”.

Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal; procurador federal – nl@neylopes.com.br – @blogdoneylopes

Para refletir: Nossos pais não mentiram

Por Inácio Augusto de Almeida

Quando a noite chegava, eu, nos meus quatro anos, me enchia de medo dos monstros que se aproveitavam da escuridão para pegar as criancinhas. E, buscando proteção, aprendi a rezar para Papai do Céu.

Rezando me sentia livre de qualquer perigo.

Adormecia, e sonhava, quase sempre cercado de muitos brinquedos. Tudo se resumia a ter medo e a rezar.

Já na juventude, 13 anos ou pouco mais, deixei de sonhar com brinquedos e a ter medo dos monstros. Tinha lido os Doze Trabalhos de Hércules e me convenci que os monstros eram de jogar confete e de fritar bolinhas. Hércules a todos tinha vencido.

Sem o medo a reza foi esquecida e nos sonhos não mais brinquedos, mas as mulheres que apareciam nas fotos e desenhos nas revistas que, no escondidinho, olhava no colégio.

Dos monstros não mais lembrava.

Acreditando de tudo saber, tinha concluído que os monstros não passavam de invencionice de meus pais para me fazer rezar.

A fase da adolescência passou. Passou como tudo passa numa vida que é uma sucessão de ilusões. Trabalhar era preciso.

O sonho de casar com a namoradinha crescia e sabia que, para casar, era preciso ter casa. Desconhecia o golpe do genrinho bonzinho e sem sorte…

No trabalho não voltei a rezar. E os monstro da infância se perderam no tempo.

Só na maturidade comecei a perceber o erro cometido de ter deixado de rezar para afastar os monstros que me cercavam na subida do pau de sebo. Sem vocação para fera, de forma despercebida, virei cristão em tarde de Coliseu lotado.

Quanta inocência, quantos erros cometidos por conta de uma ingenuidade exagerada. Hoje identifico os monstros, não pela aparência, mas pelos atos. O ladrão que furta a merenda escolar e sonega o uniforme escolar das criancinhas.

O bandido que desvia o dinheiro da saúde e nega vacina aos acamados e mais pobres. O lunfa que embolsa o dinheiro do saneamento.

Monstros que existem e nem mesmo Hércules consegue vencê-los.

Monstros que tomam parte do salários dos servidores e fazem licitações absurdas. Monstros que geram miséria e atraso por causa de uma ambição desmedida e da certeza de uma impunidade assegurada por leis frouxas.

Não rezem pedindo proteção contra estes monstros. LUTEM!

Os monstros existem. As estórias contadas eram alertas para os perigos desta vida. Nossos pais nunca mentiram. Os monstros existem.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor. Transcrito do Blog Carlos Santos.

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Para refletir: Rebeca não tomará a vacina

Por Inácio Augusto de Almeida

Quem é Rebeca?

Rebeca é uma menina pobre que sempre aparecia pedindo comida, chinelo e roupa usada. Tinha um olhar angelical no rosto marcado pela fome. Os cabelos finos fios de arame.

Na boca o riso dos inocentes.

Faz tempo que Rebeca não aparece e o meu egoísmo impediu de saber onde Rebeca mora. Eu até perguntei, mas ela dizia que era muito longe. E assim a minha curiosidade morria. Morria facilmente, pois na realidade eu queria era amortecer a minha consciência.

Um dia dei a Rebeca um caderno, um lápis e um livro cheio de figurinhas. Seus olhos de anjo encheram-se de brilho.

Observei que Rebeca olhava apenas as figurinhas.

Rebeca deixou de aparecer e fiquei imaginando que isto aconteceu porque a Assistência Social estava cuidando da família dela.

O que a gente não é capaz de fazer para tentar sufocar nossos sentimentos?

Vejo que estão anunciando vacina para jovens. Em breve chegará a vez de Rebeca se vacinar.

Penso em ir pegar a Rebeca, menina com olhar de Santa, para levá-la ao centro de vacina. Nesse momento lembrei-me o quanto fui egoísta nunca tendo ido até a casa de Rebeca.

Quantas crianças pobres, como ela, em Mossoró ( e em muitos outros lugares do Brasil) ficarão sem vacina por total falta de recursos para pagar o transporte para si e para o responsável que autorizará a aplicação da vacina?

Como Rebeca vai conseguir dinheiro para quatro passagens se não tem dinheiro para comida, calçado e roupa?

Rebeca não será vacinada. E todos rezarão por Rebeca. Somos cristãos.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor – Blog de Carlos Santos

Escravos do tempo

Por Odemirton Filho

Tem dias que a gente olha para trás e enxerga quão longo foi o caminho percorrido. Tanta coisa vivida. Foi tudo tão rápido.

Lembramos das brincadeiras com os amigos de infância, do colégio e das farras da juventude. Tínhamos planos, mas poucos foram concretizados. As dificuldades da vida nos levaram por caminhos nem sempre traçados.

Passamos boa parte da vida numa correria medonha contra o tempo.

Essa pandemia deixará alguma lição? Sinceramente, não creio, a humanidade continuará como sempre foi.

Quer um exemplo? Alguns passam boa parte da vida em busca de construir patrimônio. Porém, esquecem que ao morrer os bens são deixados deixados para os filhos disputarem a herança. O processo de inventário se arrastará por vários anos, repleto de ressentimentos. Há aqueles que chegam a brigar pela louça e talheres. Nesses vinte anos convivendo no meio jurídico já vi muita coisa. É triste.

Observamos o relógio há todo instante, numa vã tentativa de colocar rédeas no tempo. “O tempo corre, o tempo é curto: preciso me apressar; mas ao mesmo tempo viver como se essa vida fosse eterna”, poetizou Clarisse Lispector.

Sim, o danado do tempo escapa de nossas mãos.

Não podemos viver no passado, no máximo lembrar os bons momentos, tentando esquecer aquilo que nos fez mal.

Certa vez, assisti uma série de tv sobre Juscelino Kubitschek. Na cena, JK estava sozinho, em casa. Lembrava dos pais, da irmã e dos amigos. Chorava. Estava em profunda solidão. Tudo passa, até a ilusão do poder.

Pois é. Não podemos fugir do tempo.

Como diria Mário Quintana: ” nós somos escravos do tempo. Só os poetas, os amantes e os bêbados podem fugir, por alguns instantes.

Ah, e as crianças. As crianças, simplesmente, o ignoram”.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de justiça.

Vídeo: O último adeus do eterno Rei Momo de São Paulo do Potengi

No final da tarde desse domingo, 15 de agosto, Arlan Azevedo, 40 anos, filho de Aldeci Azevedo e Conceição, neto de Ambrósio Azevedo, foi sepultado no Cemitério Parque da Paz, em São Paulo do Potengi.

Arlan tinha sido internado recentemente no Hospital Promater, em Natal, para tratar de problemas intestinais, passou por uma cirurgia, estava bem, porém a sua saúde piorou e por volta das 20 horas do último sábado (14), ele foi a óbito no referido hospital.

Arlan, o eterno Rei Momo do carnaval potengiense, uma pessoa do bem e de bem, bastante querida em nossa cidade, pelos seus familiares e por uma grande legião de amigos. Foi velado no Centro de Velório UNIPLAN, sendo o seu corpo muito visitado. Às 16 horas de ontem (15), seu féretro foi conduzido até o Cemitério local, onde foi sepultado.

Sobre o seu caixão, os símbolos das suas grandes paixões: as bandeiras do ABC, do Flamengo e do Bloco do Saco. Muita gente de forma emocionada acompanhou o cortejo. No percurso até o Cemitério, o carro de som de Apriginho tocava os hinos das paixões de Arlan, além do belo hino: “Só se tem saudade do que é bom”…

Quando o seus restos mortais começaram a descer à sepultura, o sol já se escondia no horizonte. Parte da orquestra do Bloco do Saco comandada pelo seu tio Amauri tocava o hino: “Balance o saco, balance o saco de confete e serpentina”…

Foi assim o último adeus do nosso eterno Rei Momo, partindo para Casa do Pai Eterno.

Descanse em Paz amigo.

Ambrósio Azevedo: Patrimônio vivo da história de São Paulo do Potengi foi contar suas histórias no Céu

Ambrósio Azevedo, importante personalidade da história de São Paulo do Potengi, cidade que ele ajudou a construir, partiu para a vida eterna no final da tarde da última sexta-feira, 2 de julho. Na vida terrena, foi seminarista; na Segunda Guerra Mundial, serviu ao Brasil na Força Expedicionária Brasileira e, ao voltar para sua terra natal, foi comerciante, dono de padaria, de mercearia, de cinema, de serviço de som, além de político.

No seu serviço de som, que era o principal meio de comunicação da comunidade, além de divulgar os filmes que eram exibidos no seu cinema, travava lutas políticas, defendendo com firmeza suas ideias, como também servia aos seus conterrâneos com os mais diferentes tipos de anúncios. Dentre as campanhas solidárias que realizava no seu som, podemos destacar as que ele fazia para arrecadar recursos para ajudar nos sepultamentos de pessoas carentes e para saciar a fome de quem não tinha o que comer.

Político atuante, comprometido, as vezes radical, foi vereador por vários mandatos, presidente da Câmara Municipal, secretário municipal em várias gestões, a exemplo das pastas da Educação e do Gabinete Civil. Como dizia seu compadre e amigo, Monsenhor Expedito: “Compadre Ambrósio é o embaixador de São Paulo do Potengi, pois ele tem condições de representar nossa comunidade em qualquer situação”.

Radialista de mão cheia, trabalhamos juntos por cerca de 22 anos na Rádio Potengi AM, de segunda a sexta-feira, das 18 às 19 horas, apresentando o programa Destaque Político, sempre com comentários bastante equilibrados e bem humorados. Acompanhamos a luta de Monsenhor Expedito pelas adutoras, cobrindo todos os acontecimentos, em torno da campanha memorável e vitoriosa.

Pai de inúmeros filhos, Araci, Aldeci, Francisco, Dema, Pepé, Amauri, Ana, Neílson, Nelson, Neílma, Naelson, dentre outros, além de dezenas de netos e bisnetos. Muito querido por todos. O patrimônio vivo da historia de nosso município partiu discretamente e foi contar suas histórias no Céu.

Na manhã desse sábado (3), depois do velório na UNIPLAN, ao som da música de Roberto Carlos, “Meu querido, meu velho, meu amigo”, o velho guerreiro foi conduzido por familiares e amigos através de um cortejo que percorreu várias ruas de nossa cidade, até o Cemitério da terra que ele tanto amou, onde foi sepultado. Vai deixar saudades.

Descanse em paz meu amigo.

Bolsonaro e a Copa América

Pelo seu equilíbrio, discernimento e maturidade, em tempos de pandemia e de radicalização política no Brasil, que infelizmente não nos leva a lugar nenhum, agravando ainda mais os imensos problemas da pátria brasileira, aumentando o sofrimento do nosso povo, vale a pena ler o Artigo “Bolsonaro e a Copa América”, escrito pelo Jornalista, Advogado e ex-deputado federal, Dr. Ney Lopes de Souza.

Bolsonaro e a Copa América

A radicalização política no Brasil tornou-se rotina.

Pedidos de CPI e de impeachment estão diariamente nos cardápios daqueles que buscam holofotes, para exibicionismos nas telas de TV, ou manchetes de jornais.

Receitas de medicamentos, ao invés de ficarem na órbita da ciência, passam a ser tema político, com prós e contras.

Cada um vira médico.

Agora, até o futebol é atingido pela política, após a opinião do presidente Bolsonaro, favorável à realização da Copa América no país e a automática mobilização dos seus contrários.

A propósito da Copa América, cabem algumas análises.

Não se pode negar, que estão em plena realização campeonatos brasileiros das diversas séries, Taça Libertadores da América, Sul-Americana Copa Brasil, jogos da seleção principal e olímpica e até os jogos Pan-Americanos de ginástica.

Por outo lado, seria inegável o protagonismo dos nossos estados e municípios nas Américas, com as transmissões dos eventos esportivos, o que ajudaria ao turismo, tão prejudicado pela pandemia global, colaborando na geração de empregos, ocupação de hotéis, restaurantes.

O argumento básico na defesa do evento é a obediência ao atual protocolo da CBF, elaborado com a participação de médicos infectologistas categorizados.

Haveria política de testagem dos jogadores e integrantes da comissão técnica.

Caso encontrada positividade, o infectado seria imediatamente afastado e isolado.

Não teria público nos estádios, os atletas sairiam dos estádios para o hotel.

Mesmo em tais circunstancias, Argentina e Colômbia recusaram-se a sediar a Copa.

A decisão da Copa no país foi pessoal do Presidente da República e não do ministério da saúde, ao qual compete assegurar os protocolos que sejam adequados e orientar as autoridades sanitárias dos municípios e estado no cumprimento das normas.

Todavia não se pode negar que o número de óbitos está elevado e isso decorre da gravidade da doença.

Note-se que essa gravidade não é privilégio do Brasil.

A Covid 19 pressionou sistemas de saúde muito mais avançados, como da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Itália, da Espanha, Japão e outros.

O nosso sistema de saúde tem mais de 30 anos e se encontrava fragilizado, deficiências no pronto atendimento e UPAs carentes.

De repente, exigiram-se UTIs, ao lado de filas para a realização de cirurgia.

A visão não politizada do problema impõe o reconhecimento, que o nosso sistema responde como pode.

Entretanto, a politização do tema traz à tona até movimento de rebeldia dos atletas brasileiros, que reclamam a disputa do torneio, juntamente com as Eliminatórias, além do risco de exposição ao vírus, através dos contatos entre seleções estrangeiras.

Face as incertezas decorrentes da possibilidade de uma nova onda da Covid, o governo federal teria que raciocinar de acordo com o pensamento franciscano:

“Saber recuar em tempo faz parte da coragem e da prudência”.

Não se trataria de recuo humilhante.

Deve ser reconhecido, que o fato de apenas UM atleta, vindo em delegação estrangeira para a Copa América, ser infectado e transmitir o vírus em território brasileiro, o presidente Bolsonaro e o seu governo enfrentarão verdadeiro inferno astral, ou seja, possibilidades de turbulências políticas, que ainda podem ser evitadas, sobretudo numa véspera da eleição de 2022.

Em nada atingiria a autoridade do Presidente da República, ele ir a uma cadeia de rádio e TV e ponderar que a Copa América não seria realizada no país, considerados os fatos novos e que não desejaria colaborar para aumentar a tensão política e radicalizações.

Essa decisão traria para o presidente Bolsonaro e o Brasil, a benção da palavra do apostolo: “Quem está quieto, que se aquiete mais!”.

Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal – nl@neylopes.com.br