PSDB: o grande perdedor

Por Ney Lopes

As manchetes dos jornais nesta manhã de início de semana registram o PSDB em frangalhos e a terceira via seguindo sem rumo.

As prévias do partido fracassaram, por defeito no aplicativo eletrônico, o que levou o bolsonarismo a destacar que são procedentes as suas preocupações em relação ao software da justiça eleitoral.

Alguns ligados ao presidente disseram que “se não são capazes de administrar uma consulta interna, como poderão administrar o país?

A verdade é que o PSDB não conseguiu decidir neste domingo quem vai representar o partido na próxima eleição presidencial.

A sigla, que chegou duas vezes à presidência da República, mostrou-se incapaz de organizar suas próprias prévias.

Nos últimos anos, contrariou suas bandeiras históricas e se alinhou repetidamente ao bolsonarismo e ao Centrão.

A disputa dos pré-candidatos foi congelada, por enquanto, sem data para reabrir o processo.

Estavam aptos a votar 44.700 filiados ao PSDB, incluindo deputados federais e estaduais, senadores, governadores, prefeitos e vereadores.

Mas nem os maiores expoentes como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador licenciado José Serra, conseguiram apontar seus candidatos favoritos.

A incerteza estende por mais alguns dias o clima fratricida instalado no partido.

Além de tentar reagrupar os tucanos, o vencedor dessas prévias seria o responsável por seduzir os partidos que hoje não querem nem Lula, nem Bolsonaro, no que se chama de terceira via.

Entretanto, consolida-se a tendência de que os três principais partidos do Centrão (PL, PP e Republicanos) sigam com o presidente Jair Bolsonaro.

Pelas últimas pesquisas, nem Dória nem Leite —ambos eleitores de Bolsonaro em 2018— teriam potencial eleitoral no momento.

Nos cenários em que foram apontados como candidatos, tanto o governador paulista quanto o gaúcho chegaram no máximo a 4% dos votos.

O destino do PSDB afeta grande parte do espectro da centro-direita e da direita, passando por PL (que poderá ter Jair Bolsonaro), União Brasil e Podemos (de Sergio Moro).

A terceira colocação atualmente estaria em um empate técnico de Sérgio Moro e Ciro Gomes, que oscilam com 5% e 8% da preferência eleitoral.

A terceira via é hoje uma estreita rua supercongestionada, agora agravada pelo ocorrido nas prévias tucanas.

Mesmo assim, tudo poderá ainda acontecer.

A única esperança será o senador Rodrigo Pacheco lançar-se definitivamente como candidato e mostrar as suas ideias e propostas.

O PSD dispõe hoje de um articulador político competente, que é Gilberto Kassab.

Na sucessão de Itamar Franco, o candidato FHC surgiu quase de última hora e ganhou no primeiro turno.

Bolsonaro, também lançado sem chances, surpreendeu e venceu a eleição.

Antes das prévias, Doria e Leite anunciavam gestos de união para depois da divulgação do resultado, em tentativa de projetar imagem harmônica.

O fiasco deste domingo, no entanto, aumentou a fissura.

A pane nas prévias não foi só do aplicativo, foi do próprio PSDB e o único beneficiado é Moro, que amplia espaço no campo da terceira via.

Em conclusão, se pode repetir a expressão do jornal GLOBO:

“Entre uma pane e outra, o grande perdedor de domingo foi o PSDB”.

Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal; procurador federal – [email protected] – @blogdoneylopes

Para refletir: Nossos pais não mentiram

Por Inácio Augusto de Almeida

Quando a noite chegava, eu, nos meus quatro anos, me enchia de medo dos monstros que se aproveitavam da escuridão para pegar as criancinhas. E, buscando proteção, aprendi a rezar para Papai do Céu.

Rezando me sentia livre de qualquer perigo.

Adormecia, e sonhava, quase sempre cercado de muitos brinquedos. Tudo se resumia a ter medo e a rezar.

Já na juventude, 13 anos ou pouco mais, deixei de sonhar com brinquedos e a ter medo dos monstros. Tinha lido os Doze Trabalhos de Hércules e me convenci que os monstros eram de jogar confete e de fritar bolinhas. Hércules a todos tinha vencido.

Sem o medo a reza foi esquecida e nos sonhos não mais brinquedos, mas as mulheres que apareciam nas fotos e desenhos nas revistas que, no escondidinho, olhava no colégio.

Dos monstros não mais lembrava.

Acreditando de tudo saber, tinha concluído que os monstros não passavam de invencionice de meus pais para me fazer rezar.

A fase da adolescência passou. Passou como tudo passa numa vida que é uma sucessão de ilusões. Trabalhar era preciso.

O sonho de casar com a namoradinha crescia e sabia que, para casar, era preciso ter casa. Desconhecia o golpe do genrinho bonzinho e sem sorte…

No trabalho não voltei a rezar. E os monstro da infância se perderam no tempo.

Só na maturidade comecei a perceber o erro cometido de ter deixado de rezar para afastar os monstros que me cercavam na subida do pau de sebo. Sem vocação para fera, de forma despercebida, virei cristão em tarde de Coliseu lotado.

Quanta inocência, quantos erros cometidos por conta de uma ingenuidade exagerada. Hoje identifico os monstros, não pela aparência, mas pelos atos. O ladrão que furta a merenda escolar e sonega o uniforme escolar das criancinhas.

O bandido que desvia o dinheiro da saúde e nega vacina aos acamados e mais pobres. O lunfa que embolsa o dinheiro do saneamento.

Monstros que existem e nem mesmo Hércules consegue vencê-los.

Monstros que tomam parte do salários dos servidores e fazem licitações absurdas. Monstros que geram miséria e atraso por causa de uma ambição desmedida e da certeza de uma impunidade assegurada por leis frouxas.

Não rezem pedindo proteção contra estes monstros. LUTEM!

Os monstros existem. As estórias contadas eram alertas para os perigos desta vida. Nossos pais nunca mentiram. Os monstros existem.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor. Transcrito do Blog Carlos Santos.

.

Para refletir: Rebeca não tomará a vacina

Por Inácio Augusto de Almeida

Quem é Rebeca?

Rebeca é uma menina pobre que sempre aparecia pedindo comida, chinelo e roupa usada. Tinha um olhar angelical no rosto marcado pela fome. Os cabelos finos fios de arame.

Na boca o riso dos inocentes.

Faz tempo que Rebeca não aparece e o meu egoísmo impediu de saber onde Rebeca mora. Eu até perguntei, mas ela dizia que era muito longe. E assim a minha curiosidade morria. Morria facilmente, pois na realidade eu queria era amortecer a minha consciência.

Um dia dei a Rebeca um caderno, um lápis e um livro cheio de figurinhas. Seus olhos de anjo encheram-se de brilho.

Observei que Rebeca olhava apenas as figurinhas.

Rebeca deixou de aparecer e fiquei imaginando que isto aconteceu porque a Assistência Social estava cuidando da família dela.

O que a gente não é capaz de fazer para tentar sufocar nossos sentimentos?

Vejo que estão anunciando vacina para jovens. Em breve chegará a vez de Rebeca se vacinar.

Penso em ir pegar a Rebeca, menina com olhar de Santa, para levá-la ao centro de vacina. Nesse momento lembrei-me o quanto fui egoísta nunca tendo ido até a casa de Rebeca.

Quantas crianças pobres, como ela, em Mossoró ( e em muitos outros lugares do Brasil) ficarão sem vacina por total falta de recursos para pagar o transporte para si e para o responsável que autorizará a aplicação da vacina?

Como Rebeca vai conseguir dinheiro para quatro passagens se não tem dinheiro para comida, calçado e roupa?

Rebeca não será vacinada. E todos rezarão por Rebeca. Somos cristãos.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor – Blog de Carlos Santos

Escravos do tempo

Por Odemirton Filho

Tem dias que a gente olha para trás e enxerga quão longo foi o caminho percorrido. Tanta coisa vivida. Foi tudo tão rápido.

Lembramos das brincadeiras com os amigos de infância, do colégio e das farras da juventude. Tínhamos planos, mas poucos foram concretizados. As dificuldades da vida nos levaram por caminhos nem sempre traçados.

Passamos boa parte da vida numa correria medonha contra o tempo.

Essa pandemia deixará alguma lição? Sinceramente, não creio, a humanidade continuará como sempre foi.

Quer um exemplo? Alguns passam boa parte da vida em busca de construir patrimônio. Porém, esquecem que ao morrer os bens são deixados deixados para os filhos disputarem a herança. O processo de inventário se arrastará por vários anos, repleto de ressentimentos. Há aqueles que chegam a brigar pela louça e talheres. Nesses vinte anos convivendo no meio jurídico já vi muita coisa. É triste.

Observamos o relógio há todo instante, numa vã tentativa de colocar rédeas no tempo. “O tempo corre, o tempo é curto: preciso me apressar; mas ao mesmo tempo viver como se essa vida fosse eterna”, poetizou Clarisse Lispector.

Sim, o danado do tempo escapa de nossas mãos.

Não podemos viver no passado, no máximo lembrar os bons momentos, tentando esquecer aquilo que nos fez mal.

Certa vez, assisti uma série de tv sobre Juscelino Kubitschek. Na cena, JK estava sozinho, em casa. Lembrava dos pais, da irmã e dos amigos. Chorava. Estava em profunda solidão. Tudo passa, até a ilusão do poder.

Pois é. Não podemos fugir do tempo.

Como diria Mário Quintana: ” nós somos escravos do tempo. Só os poetas, os amantes e os bêbados podem fugir, por alguns instantes.

Ah, e as crianças. As crianças, simplesmente, o ignoram”.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de justiça.

Vídeo: O último adeus do eterno Rei Momo de São Paulo do Potengi

No final da tarde desse domingo, 15 de agosto, Arlan Azevedo, 40 anos, filho de Aldeci Azevedo e Conceição, neto de Ambrósio Azevedo, foi sepultado no Cemitério Parque da Paz, em São Paulo do Potengi.

Arlan tinha sido internado recentemente no Hospital Promater, em Natal, para tratar de problemas intestinais, passou por uma cirurgia, estava bem, porém a sua saúde piorou e por volta das 20 horas do último sábado (14), ele foi a óbito no referido hospital.

Arlan, o eterno Rei Momo do carnaval potengiense, uma pessoa do bem e de bem, bastante querida em nossa cidade, pelos seus familiares e por uma grande legião de amigos. Foi velado no Centro de Velório UNIPLAN, sendo o seu corpo muito visitado. Às 16 horas de ontem (15), seu féretro foi conduzido até o Cemitério local, onde foi sepultado.

Sobre o seu caixão, os símbolos das suas grandes paixões: as bandeiras do ABC, do Flamengo e do Bloco do Saco. Muita gente de forma emocionada acompanhou o cortejo. No percurso até o Cemitério, o carro de som de Apriginho tocava os hinos das paixões de Arlan, além do belo hino: “Só se tem saudade do que é bom”…

Quando o seus restos mortais começaram a descer à sepultura, o sol já se escondia no horizonte. Parte da orquestra do Bloco do Saco comandada pelo seu tio Amauri tocava o hino: “Balance o saco, balance o saco de confete e serpentina”…

Foi assim o último adeus do nosso eterno Rei Momo, partindo para Casa do Pai Eterno.

Descanse em Paz amigo.

Ambrósio Azevedo: Patrimônio vivo da história de São Paulo do Potengi foi contar suas histórias no Céu

Ambrósio Azevedo, importante personalidade da história de São Paulo do Potengi, cidade que ele ajudou a construir, partiu para a vida eterna no final da tarde da última sexta-feira, 2 de julho. Na vida terrena, foi seminarista; na Segunda Guerra Mundial, serviu ao Brasil na Força Expedicionária Brasileira e, ao voltar para sua terra natal, foi comerciante, dono de padaria, de mercearia, de cinema, de serviço de som, além de político.

No seu serviço de som, que era o principal meio de comunicação da comunidade, além de divulgar os filmes que eram exibidos no seu cinema, travava lutas políticas, defendendo com firmeza suas ideias, como também servia aos seus conterrâneos com os mais diferentes tipos de anúncios. Dentre as campanhas solidárias que realizava no seu som, podemos destacar as que ele fazia para arrecadar recursos para ajudar nos sepultamentos de pessoas carentes e para saciar a fome de quem não tinha o que comer.

Político atuante, comprometido, as vezes radical, foi vereador por vários mandatos, presidente da Câmara Municipal, secretário municipal em várias gestões, a exemplo das pastas da Educação e do Gabinete Civil. Como dizia seu compadre e amigo, Monsenhor Expedito: “Compadre Ambrósio é o embaixador de São Paulo do Potengi, pois ele tem condições de representar nossa comunidade em qualquer situação”.

Radialista de mão cheia, trabalhamos juntos por cerca de 22 anos na Rádio Potengi AM, de segunda a sexta-feira, das 18 às 19 horas, apresentando o programa Destaque Político, sempre com comentários bastante equilibrados e bem humorados. Acompanhamos a luta de Monsenhor Expedito pelas adutoras, cobrindo todos os acontecimentos, em torno da campanha memorável e vitoriosa.

Pai de inúmeros filhos, Araci, Aldeci, Francisco, Dema, Pepé, Amauri, Ana, Neílson, Nelson, Neílma, Naelson, dentre outros, além de dezenas de netos e bisnetos. Muito querido por todos. O patrimônio vivo da historia de nosso município partiu discretamente e foi contar suas histórias no Céu.

Na manhã desse sábado (3), depois do velório na UNIPLAN, ao som da música de Roberto Carlos, “Meu querido, meu velho, meu amigo”, o velho guerreiro foi conduzido por familiares e amigos através de um cortejo que percorreu várias ruas de nossa cidade, até o Cemitério da terra que ele tanto amou, onde foi sepultado. Vai deixar saudades.

Descanse em paz meu amigo.

Bolsonaro e a Copa América

Pelo seu equilíbrio, discernimento e maturidade, em tempos de pandemia e de radicalização política no Brasil, que infelizmente não nos leva a lugar nenhum, agravando ainda mais os imensos problemas da pátria brasileira, aumentando o sofrimento do nosso povo, vale a pena ler o Artigo “Bolsonaro e a Copa América”, escrito pelo Jornalista, Advogado e ex-deputado federal, Dr. Ney Lopes de Souza.

Bolsonaro e a Copa América

A radicalização política no Brasil tornou-se rotina.

Pedidos de CPI e de impeachment estão diariamente nos cardápios daqueles que buscam holofotes, para exibicionismos nas telas de TV, ou manchetes de jornais.

Receitas de medicamentos, ao invés de ficarem na órbita da ciência, passam a ser tema político, com prós e contras.

Cada um vira médico.

Agora, até o futebol é atingido pela política, após a opinião do presidente Bolsonaro, favorável à realização da Copa América no país e a automática mobilização dos seus contrários.

A propósito da Copa América, cabem algumas análises.

Não se pode negar, que estão em plena realização campeonatos brasileiros das diversas séries, Taça Libertadores da América, Sul-Americana Copa Brasil, jogos da seleção principal e olímpica e até os jogos Pan-Americanos de ginástica.

Por outo lado, seria inegável o protagonismo dos nossos estados e municípios nas Américas, com as transmissões dos eventos esportivos, o que ajudaria ao turismo, tão prejudicado pela pandemia global, colaborando na geração de empregos, ocupação de hotéis, restaurantes.

O argumento básico na defesa do evento é a obediência ao atual protocolo da CBF, elaborado com a participação de médicos infectologistas categorizados.

Haveria política de testagem dos jogadores e integrantes da comissão técnica.

Caso encontrada positividade, o infectado seria imediatamente afastado e isolado.

Não teria público nos estádios, os atletas sairiam dos estádios para o hotel.

Mesmo em tais circunstancias, Argentina e Colômbia recusaram-se a sediar a Copa.

A decisão da Copa no país foi pessoal do Presidente da República e não do ministério da saúde, ao qual compete assegurar os protocolos que sejam adequados e orientar as autoridades sanitárias dos municípios e estado no cumprimento das normas.

Todavia não se pode negar que o número de óbitos está elevado e isso decorre da gravidade da doença.

Note-se que essa gravidade não é privilégio do Brasil.

A Covid 19 pressionou sistemas de saúde muito mais avançados, como da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Itália, da Espanha, Japão e outros.

O nosso sistema de saúde tem mais de 30 anos e se encontrava fragilizado, deficiências no pronto atendimento e UPAs carentes.

De repente, exigiram-se UTIs, ao lado de filas para a realização de cirurgia.

A visão não politizada do problema impõe o reconhecimento, que o nosso sistema responde como pode.

Entretanto, a politização do tema traz à tona até movimento de rebeldia dos atletas brasileiros, que reclamam a disputa do torneio, juntamente com as Eliminatórias, além do risco de exposição ao vírus, através dos contatos entre seleções estrangeiras.

Face as incertezas decorrentes da possibilidade de uma nova onda da Covid, o governo federal teria que raciocinar de acordo com o pensamento franciscano:

“Saber recuar em tempo faz parte da coragem e da prudência”.

Não se trataria de recuo humilhante.

Deve ser reconhecido, que o fato de apenas UM atleta, vindo em delegação estrangeira para a Copa América, ser infectado e transmitir o vírus em território brasileiro, o presidente Bolsonaro e o seu governo enfrentarão verdadeiro inferno astral, ou seja, possibilidades de turbulências políticas, que ainda podem ser evitadas, sobretudo numa véspera da eleição de 2022.

Em nada atingiria a autoridade do Presidente da República, ele ir a uma cadeia de rádio e TV e ponderar que a Copa América não seria realizada no país, considerados os fatos novos e que não desejaria colaborar para aumentar a tensão política e radicalizações.

Essa decisão traria para o presidente Bolsonaro e o Brasil, a benção da palavra do apostolo: “Quem está quieto, que se aquiete mais!”.

Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal – [email protected]