Eu acredito em Deus, mas Ele não existe; antes de se posicionar, leia o texto

Por @silverioalvesfilho

Sou católico e, portanto, acredito em Deus. Mas, igualmente, creio que Ele “não existe”.

Isso porque o conceito de existência remete a uma limitação no tempo e no espaço, uma limitação que sujeita apenas as criaturas que começam a existir e depois deixam de existir. O período de tempo entre o início e o fim é chamado, justamente, de existência.

É por isso que, por ser eterno, é incorreto dizer que “Deus existe”, na medida em que sua existência nunca começou e nunca terminará. É o que nos recorda o evangelho da liturgia de hoje ao dizer:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. João 1:1-3

Por meio do Verbo foram criadas todas as coisas, coisas as quais, estas sim, começam e deixam de existir.

No verso 14 do mesmo capítulo João deixa claro que o Verbo é Jesus. O Verbo, o Deus-Filho é, portanto, eterno, embora tenha, paradoxalmente, nascido da Santa Maria em dado momento, passando a ser identificado, também, pelo nome de Jesus.

Jesus não foi criado no ventre de Maria, como todos nós, mas apenas gerado, como consta no Credo Niceno (aquele mais longo que as vezes rezamos na missa): “gerado, não criado, consubstancial ao pai”.

Mas, você deve estar pensando: “Então como devo me referir a Deus, se não posso dizer que Ele existe?”.

A resposta é dada pelo próprio Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou” João 8:58.

O Deus-Trino que professamos não existe, ELE É, desde sempre, e será eternamente, não sujeito ao tempo, nem ao espaço, senão quando quis se sujeitar de modo parcial e circunstancial, por amor, na pessoa do Cristo Encarnado.

Mas não se preocupe por dizer que “Deus existe”.

O verbo “existir” também passa a mensagem essencial. Mas talvez, sem a dúvida que eu trouxe com o título, você não chegaria até aqui para ver essa mensagem final: a de que Deus nos ama tanto, que deu-se a si mesmo, na pessoa do Seu Filho amado, para morrer por nós. E não há amor maior que este.

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