A plenitude da maternidade na pessoa da mãe cuja alma foi atravessada por uma espada (Lc 1,35)

Por Silvério Filho

Deus, na Pessoa de Jesus, teve mãe, pois assim disse Isabel a Maria, que carregava o Cristo no ventre: “E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a MÃE DO MEU SENHOR?” (Lc 1,43). Para que não houvesse dúvidas da efetiva maternidade de Maria, o evangelista fez questão de ressaltar que, naquele momento, era o Espírito Santo que falava por meio de Isabel (Lc 1,41).

O Espírito Santo, portanto, não se refere a Maria como mera geradora da natureza humana de Cristo, mas como MÃE efetivamente do Senhor, que é Senhor porque é Deus (Jo 20,28). Nos mistério da Salvação, quis Deus, “confundindo a sabedoria dos sábios” (1 Cor 1,20), que o Verbo Eterno por meio do qual tudo foi criado (Jo 1) pudesse ser chamado filho por uma mulher, que exerceu, por isso mesmo, a plenitude da maternidade, ao acompanhar, como nenhuma outra criatura, o sofrimento de Cristo na Cruz.

Quando Maria e José vão apresentar Jesus no Templo, como mandava a Lei de Moisés, lá encontram Simeão, movido pelo Espírito Santo (Lc 2,27), que proclama Jesus como Salvador do mundo, que causaria queda e reerguimento de muitos em Israel (Lc 2,28-34), mas que uma espada cravaria a alma de sua mãe. (Lc 2,24).

Simeão falava do sofrimento que Maria viria a suportar, aos pés da Cruz, durante o sacrifício do seu filho. Como de fato suportou.

Àquela altura quase todos os discípulos já haviam abandonado Jesus, não tendo portanto, fé. Ficaram aos pés da cruz apenas Maria, sua mãe, Maria Madalena, Maria de Cleófas e Salomé (Jo 19:26-2, Mt 27:56 e Mc 15:40).

Porém, no domingo Maria Madalena, Maria de Cléofas e Salomé foram banhar o corpo de Jesus com perfume (Mc 16, 1-3). Se acreditavam que o corpo estaria lá, não tinham fé na ressurreição.

Quanto a João, ao saber do túmulo vazio, ele mesmo relata que foi até lá, viu e creu (Jo 20, 8), se acreditou depois que viu é porque não tinha fé, já que fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem (Hb 11,1).

Mas houve uma pessoa que acreditou até o fim, que esteve aos pés da Cruz e que não foi ao túmulo vazio, porque saberia que Jesus não estaria lá, pois ressuscitado: Maria, sua mãe, a única daqueles que estavam na crucificação que não aparece em nenhum dos relatos da ida ao túmulo no domingo ( Cf. Lc 24; Mt 28; Jo 20; Mc 16). Aquela, que sendo Mãe, sentiu na alma, o que o Senhor sentiu na carne.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.