Maria, Mãe de Deus, a Nova Arca da Aliança


Por Silvério Filho

Hoje (12), dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, é uma ótima oportunidade para discorrer sobre a importância da Mãe de Deus no Cristianismo. Diversos argumentos poderiam ser utilizados, mas nos deteremos, em específico, ao fato de Maria ser a Nova Arca da Aliança. 

Para entender isto, é necessário, primeiramente, compreender que há continuidade entre a Velha Aliança (Antigo Testamento) e a Nova (Novo Testamento). O Velho Testamento, em seus livros, já anunciava a vinda de Jesus Cristo e estabelecia as profecias que Ele cumpriria aqui na Terra.  

Dito isto, por meio da comparação das menções do Antigo Testamento à Arca da Aliança com as menções feitas pelo Novo Testamento a Maria Santíssima, demonstraremos o porquê a mãe de Cristo é a nova Arca. Vejamos. 


Antigo Testamento (AT.) A Arca da Antiga Aliança abrigava os Dez Mandamentos, que eram a Palavra de Deus.

Novo Testamento (NT.) Na Bíblia, São João chama também Jesus de Palavra (=Verbo) de Deus (Jo 1,1), e Maria, por carregá-lo em seu ventre, tornou-se a Arca da Nova Aliança.

AT. A Arca fica três meses na casa de Obed-Edom (2 Sm 6,11)

NT. Maria fica três meses com Isabel. (Lc 1, 56).

AT. A Arca vai para Jerusalém, na região montanhosa de Judá. (2 Sm 6,1 – 15).

NT. A virgem Maria vai à região montanhosa de Judá (LC 1,39-45)


AT.  Deus habitava a arca da aliança: “A nuvem repousava sobre ela e a glória do Senhor encheu o tabernáculo”. (Ex 40,35).

NT. Cristo habitará a nova arca da aliança: “Descerá sobre ti (Maria) o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o ente santo que de ti há de nascer será chamado Filho de Deus. (Luc 1,35) 



AT.  Quando a Arca da Aliança foi trazida perante o rei Davi, ele temeu ao Senhor e disse: ”Como virá a mim a Arca do Senhor?”. (2Samuel 6,9)

NT. Quando Maria foi visitar sua parente Isabel, que estava grávida de João Batista, Isabel afirmou: “De onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor?”. (Lucas 1,43)

AT.  O rei Davi dançou de júbilo porque ele estava na presença da Arca. (2Samuel 6,16).

NT:  João Batista saltou de júbilo no ventre de sua mãe, Isabel. Ele fez isto quando ouviu a voz de Maria, que estava grávida de Jesus, o qual também é chamado de Palavra (=Verbo) de Deus. (Lucas 1,41) 

AT.   Os israelitas encheram-se de grande júbilo porque estavam muito próximos da Arca que continha a Palavra de Deus. (2Samuel 6,15) 

NT   Isabel e João Batista se encheram de júbilo por estarem na presença de Maria, que carregava a Palavra de Deus. (Lucas 1,42.44). 

AT. No dia da Consagração do Templo que o Rei Salomão havia Construído, haviam 120 sacerdotes reunidos (2 Cr 5, 12). O sacerdotes rezavam no Templo, junto à Arca da Aliança (2 Cr 5,5), quando fogo caiu do Céu para consumir os sacrifícios, tendo a glória do Senhor abundado em sua Casa (2 Cr 7,1).

NT. 120 discípulos (sacerdotes) estavam no Cenáculo (At. 1, 15), rezando junto de Maria mãe de Jesus (At. 1,14), quando línguas de fogo pousaram sobre eles e encheram-lhes do Espírito Santo (At. 2, 3-4)

Em Hebreus 9,4; João 1,1; 6,51 e, novamente, em Hebreus 5,4-5: Assim como na Arca da Antiga Aliança continha a palavra de Deus nas tábuas de pedra, o maná do céu e a vara de Arão, o grande Sumo Sacerdote, também Maria carregou no seu ventre Jesus Cristo, que é a Palavra de Deus, o Maná do Céu e o grande Sumo Sacerdote.

A arca foi feita de madeira de acácia (a mais incorruptível) e revestida de ouro por dentro e por fora (o material mais incorruptível).

A Arca em si era considerada tão santa que ninguém podia nem tocá-la, para que não morresse (2 Samuel 6,7; 1 Crônicas 13,9-10).

Diante de tantas referências, não há como não chegar à conclusão de que Deus, por meio das Escrituras, quis demonstrar uma relação de continuidade entre a Arca da Aliança e Maria, uma vez que, como dizia Santo Agostinho: “O Antigo Testamento é o Novo escondido, mas o Novo é o Velho revelado”.

Se Deus, por meio das Escrituras, da Tradição e do Magistério Apostólico deixou claro esta relação de continuidade é porque quer que tratemos Maria com honra, júbilo e respeito similares aos que Davi, Salomão e o povo do Antigo Testamento tratavam a Arca. 

Deste modo, assim como a honra prestada pelos hebreus à Arca era da vontade de Deus, a honra prestada pelos cristãos a Maria também o é. A devoção Mariana é, portanto, parte do plano de Deus para o seu povo e para a sua Igreja. 

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