Silvério Alves

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Malafaia, as negociações com o Governo Bolsonaro e o “esquecimento” de Mateus 22,21

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Por José Ibiapina

Com exceção dos primeiros cristãos pós-apostólicos, mártires da Palavra, em todo o resto da história que se veio, os líderes religiosos se envolveram com o poder político, ainda que indiretamente.

Os católicos com os imperadores ocidentais e orientais e, após o cisma do oriente, com os reis de cada lado, sendo uma das “parcerias” mais citadas a inquisição católica espanhola.

Porém, também os protestantes tiveram suas alianças históricas: o anglicanismo foi fundado por um rei que não aceitou a proibição católica ao divórcio, vigente até hoje, e transformou-se em líder supremo da própria Igreja; Lutero negociou com os príncipes germânicos, que viam na reforma uma possibilidade de redução do poder político de Roma; Calvino detinha poder político sobre o conselho de Genebra, comandando inclusive inquisições, como a de Servet; os puritanos americanos de Salém, à frente do poder civil local, condenaram mulheres à morte, por machismo, disfarçado de alegação de bruxaria.

A história do Povo de Deus é história de pecadores, e assim foi até mesmo com o Rei Davi. Por isso todos precisam do redentor, Jesus Cristo.

O debate sobre a atuação política dos líderes religiosos merece vir à tona neste momento, porém, dentre outros motivos, porque nunca se falou tanto no Brasil sobre João 8,32 (E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará), quase sempre num contexto político. De que verdade fala a passagem? Uma verdade política? Sobre qual a atitude política está correta ou errada? Correta ou errada com base em quê?

A utilização de Jo 8,32 em discursos políticos é obviamente desvirtuada. A verdade que lá se fala não é sobre uma postura política ou pensamento político. Para o cristão, a verdade não é um conceito abstrato, é uma pessoa encarnada, JESUS CRISTO, segundo o mesmo João em seu relato do evangelho (14,6). Mas onde entra Silas Malafaia?

Desde o início do governo Bolsonaro Silas tem prestado um apoio quase incondicional às narrativas e às mudanças de narrativa do governo. Muita gente o segue. Ganhou influência perante César, digo, Bolsonaro. Mas ontem (10), foi além, disse publicamente que 2 ministros do Governo mereciam cair! Silas, pastor, dando ultimato a ministros do Governo de César, digo, Bolsonaro. Com que interesse? Ter mais influência junto ao Governo? Mais controle?

Pastor Silas, um dos que mais citou nos últimos anos a passagem de Jo 8,32, parece ter esquecido do ensinamento claríssimo do senhor Jesus em Mt 22,21: “DAI POIS A CÉSAR O QUE É DE CESAR, E A DEUS O QUE É DE DEUS”.

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