Motta diz que prerrogativa da PF é inegociável e tenta acordo para votar PL Antifacção

Por Carolina Linhares

Presidente da Câmara tenta costurar acordo enquanto Polícia Federal e governo Lula denunciam ameaça à autonomia da corporação

(Folhapress) — O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou, nesta terça-feira (11), que um ponto inegociável do projeto antifacção, relatado por Guilherme Derrite (PP-SP), é que a Polícia Federal não perca suas prerrogativas.

Motta, o governo Lula (PT), líderes partidários e o relator negociam mais alterações no texto em busca de um consenso que permita levá-lo à votação no plenário nesta quarta-feira (12).

“A Câmara não permitirá que a Polícia Federal perca as suas prerrogativas. É um ponto inegociável”, disse Motta. O deputado ressaltou que o objetivo, pelo contrário, é fortalecer todas as polícias.

“Precisamos ser mais duros e enérgicos com os chefes das facções criminosas, mas sem permitir que haja qualquer questionamento acerca da soberania”, respondeu Motta a respeito da crítica de que alterar a Lei Antiterrorismo pode abrir brecha para intervenções externas.

Motta disse ainda que busca construir uma proposta que seja aceita na Câmara e no Senado e obtenha a sanção presidencial.

PF mantém críticas e alerta para ilegalidades

As conversas alcançaram também o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que teve contato com Derrite na segunda (10) por intermédio de Motta. Mesmo após alterações já feitas pelo relator, Rodrigues diz que o texto contém “inconstitucionalidades e ilegalidades”.

Segundo Rodrigues afirmou em entrevista à GloboNews, “é notório” que o relatório “limita e suprime competências” da Polícia Federal. “Isso em nenhum sentido é tolerável.”

“Só pode interessar o enfraquecimento da PF, […] o eventual congestionamento, a grande atrapalhação dos processos em andamento a quem se beneficia dessas medidas”, disse.

Além disso, o diretor-geral da PF afirmou ser contrário à equiparação de terrorismo e crime organizado, classificando-a como “nefasta”.

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