Dia Internacional da Mulher: dia de memória e dia de luta

Por Stefanny Alves, advogada

Neste dia 08 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Recebemos presentes, geralmente flores e chocolates; empresas e autoridades públicas exaltam nossa importância, fazem promoções e eventos alusivos. Mas o dia da mulher é mais do que isso. Tem que ser mais do que isso.

Durante toda a história, desde a antiguidade, nós mulheres fomos sujeitas a restrições sociais, morais e, inclusive, jurídicas. Éramos, para utilizar uma expressão que ficou famosa, o “segundo sexo”: definia-se a função do homem na sociedade, na filosofia, na política. O que sobrasse, que não fosse função do homem, seria da mulher.

Por séculos, não nos era permitido participar da política, ter empresas, ensinar, nem sequer aprender. Até mesmo dentro da classe trabalhadora oprimida durante era industrial do século 19, o subgrupo das mulheres era ainda mais oprimido, conforme nos recorda o exemplo da morte de cerca de 130 operárias, em 1857.

Consta que em 08 de março de 1857, cerca de 130 mulheres entraram em greve numa fábrica de tecidos em Nova Iorque, defendendo melhores condições, como a redução de 16 horas para 10 horas de trabalho diárias, e equiparação salarial com os homens, que ganhavam cerca de três vezes mais. Imagine, trabalhar pesado durante 16 horas por dia e, quando chegar, ainda cuidar da casa, se casa houvesse!

Por algum motivo, provavelmente intencional, as mulheres terminaram presas na fábrica. Algo causou um incêndio. Todas morreram.

De lá para cá, muita coisa mudou, é verdade. Hoje, nos termos da Constituição Federal, homens e mulheres são iguais perante a lei (art. 5º, caput). Mas muito ainda há para mudar: dupla ou tripla jornada da trabalho (profissão + casa + filhos); distinção de salário; restrição de oportunidades de emprego etc.

Por tudo isso, o Dia Internacional da Mulher, para além de um simples dia de comemoração e publicidade, é um dia de memória e de luta.

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