Quando Bento XVI me ajudou a deixar de ser ateu

Por @silverioalvesfilho

Este é o primeiro de três artigos que escreverei sobre o recém-falecido Papa Bento XVI.

Na época da faculdade, por dado momento, cheguei a flertar com o ateísmo. Talvez influenciado pelo niilismo de Nietzsche, as noções de poder de Foucault ou a compreensão da razão dada pela “Escola de Frankfurt”.

A fé parecia ser algo obscurantista, forjado como instrumento de dominação.

Aí, certo dia, o professor de filosofia do direito nos passou um vídeo de Bento XVI discursando no parlamento alemão.

O interessante era que o professor não era católico, era provavelmente ateu. Bento estava sendo apresentado ali não como Papa, mas como autoridade intelectual, falando, vejam só, sobre Direito!

E que discurso fantástico! Refletindo sobre as origens da civilização ocidental: a fé e a moral dos hebreus, a filosofia dos gregos e o direito dos romanos.

No discurso, falou sobre política e sobre os erros da dogmática jurídica que desconsiderava a existência do Divino (esse será o tema do terceiro artigo).

A fé, de repente, já era perfeitamente compatível com a ciência e a razão.

De lá, fui pesquisar sobre os estudiosos da Igreja, desde os chamados Pais, que vieram logo após os apóstolos, até os escolásticos, tendo como maior deles Tomás de Aquino.

Fui pesquisar sobre Igreja e Ciência e vi que a academia de ciências do Vaticano (vejam só!) tinha pelo menos 70 membros que já haviam vencido o prêmio Nobel.

A partir daí, lendo a bíblia em contexto com a história e com aqueles que sobre ela refletiram, tudo fez sentido, como sintetizou Santo Agostinho: “Crer para compreender, e compreender para crer”.

E começou naquele dia, vendo o discurso do Papa no Parlamento Alemão.

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