
Por Santo Tito
Porque não devemos interditar a parede da Barragem Campo Grande para o tráfego de artefatos motorizados.
A euforia, o inexperiência, o ineditismo e a imprudência às vezes nos levam a cometer erros irreparáveis. No final de semana próximo do dia dezoito de abril fomos surpreendidos com uma atitude leviana irreparável. A maneira como aconteceu o infortúnio é o resultado da irresponsabilidade de quem não mede as consequências das suas atitudes.
A reparação do passeio sobre a parede da Barragem Campo Grande, foi a maneira de dar uma opção para que as pessoas pudessem praticar a caminhada diária naqueles horários mais adequados com as suas disponibilidades de tempo. Com o andamento, nossos administradores foram adequando os horários com a finalidade de que não houvesse disputas entre os possuidores de artefatos motorizados e quem estaria fazendo o seu exercício diário.
Com o irremediável acontecimento daquele fatídico fim de semana, muitos foram os que se arvoraram a emitir uma avalanche de ideias sobre como evitar outra tragédia. Mas a que está criando maior divergência entre os usuários é a que proíbe a passagem de motos e veículos durante os finais de semana. Entretanto, essa é uma das opções menos aderentes. Nessas datas são os momentos em que as famílias se reúnem para o descanso com banho relaxante na laje da sangria. Como querer que grupos inteiros façam aquele percurso carregando idosos, crianças, gestantes e toda aquela parafernália do churrasquinho?
Foram mais de quarenta anos de eterna tranquilidade e respeito. Não seria agora que iríamos interditar uma via pública. Somos bastante criativos para não cair nesta esparrela. O acidente recente foi grave, mas alertamos contra as medidas precipitadas que poderiam gerar mais problemas do que soluções. Ao agirmos açodadamente podemos estar cometendo um grande erro, pois imprevistos acontecem. E não só ali. Quantos já tivemos em condições análogas a este em São Paulo do Potengi? Jamais teríamos condições de retroagir para corrigir a ocorrência desse drama. Mas é claro que haveremos de encontrar uma solução que não à sua interdição. O que não se pode é submeter aqueles que se utilizam daquela via de acesso a um trajeto mais longo e mais oneroso. A INTERDIÇÃO SERIA UMA MEDIDA DESPROPORCIONAL, que não considera a tradição local, a função social da via e a necessidade de acesso das famílias. É possível encontrar alternativas criativas e equilibradas para garantir segurança sem sacrificar o uso comunitário.
