Política e Responsabilidade

José Ferreira da Rocha

Política, no seu sentido verdadeiro, tem, como objetivo, criar uma situação concreta de bem-estar, na qual, todos vivam juntos, em harmonia e respeito mútuo. Assim, a ação política der ser considerada um ato de verdadeira qualidade. Grande parte da população relega o campo político e a organização do bem comum aos profissionais, reduzindo a sua participação, apenas, a votar e a criticar o mundo dos políticos.

No atual momento histórico, em que nos encontramos, nós Cristãos, temos uma grande responsabilidade política. Com a crise instalada, em quase todos os setores da Sociedade, não podemos ser omissos e indiferentes. Grande parte das funções, outrora, desempenhadas pelas Comunidades, hoje, passaram para as esferas político-governamentais. A Vida na Família, na Escola e na Comunidade depende cada vez mais da ação política. A Educação, a formação da consciência, os valores éticos e morais, a defesa e proteção da Vida, o amparo da Criança e da Velhice, tudo está sujeito a uma grande influência e interferência políticas.

Em face deste fenômeno da politização da Vida Familiar e Social, João Paulo II, na Exortação Apostólica ” CRISTIFIDELES LAICE”, afirmara categoricamente: ” OS Leigos Cristãos não podem mais omitir-se na Política”. Continuava o Papa, no mesmo Documento: ” Para animar cristãmente a ordem temporal, no sentido de servir ao bem comum, às pessoas e a Sociedade, os Fiéis Leigos não podem, absolutamente, abdicar da participação na Política, ou seja, na múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover, orgânica e institucionalmente, o bem comum”. Muito significativo é, também, o Ensinamento do Vaticano II: ” A Igreja louva e aprecia o trabalho de quantos se dedicam ao bem da Nação e tomam, sobre si, o peso do tal cargo a serviço dos homens”.

Assim sendo, a que somos chamados? Primeiramente, a tomar consciência de que o bem comum está acima do particular e do individual e requer uma organização, uma justa ordem. O individuo deve abrir seus horizontes pessoais em relação aos outros, para engajar-se, num compromisso coletivo a serviço de todos. Devemos todos nos inserir de corpo e alma, num esforço de conjunto, para o bem de todos. Mais do que nunca, nossa Pátria sofrida precisa de Cidadãos corajosos, pisando o chão dos obstáculos, dispostos a construir, onde os maus Cidadãos destroem e roubam. Precisamos, enfim, de Cidadãos que se comprometam e que vivam uma Política séria e responsável, a CIVILIS SCIENTIA, a ARS REIPUBLIAE GERENDAE, a CIVILIS PRUDENTIA, a RATIO REIPUBLICAE ADMINISTRANDAE.

  • José Ferreira da Rocha, é Bacharel em Letras pela UFRN, Professor, Escritor, autor de cinco livros, dentre eles, “Escrever, Um Doce Desassosssego”, onde está publicado o Artigo acima (paginas 53 e 54). José Ferreira é potengiense (irmão do Maestro Tiãozinho) e Membro da Academia Potengiense de Letras e Artes.

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