Do Campo Grande ao São Francisco: A Peregrinação do Profeta das Águas

Por Santo Tito

O ano? Logo após inaugurada a Barragem Campo Grande de São Paulo do Potengi, em 20 de fevereiro1986, pelo governador José Agripino Maia e pelo prefeito Geraldo Macêdo Costa. Vale observar que algumas fontes locais mencionam 1984 como ano de conclusão ou do início da operação/sangria da barragem, mas a data de inauguração oficialmente citada é 20 de fevereiro de 1986. Entretanto, a tarefa do insatisfeito “Padre” Monsenhor Expedito ainda não estava completa. Após vencido este round por água de qualidade para a sua “mundiça” e comunidades adjacentes, a luta tinha que ter continuidade. A inauguração da barragem não marcou o fim da luta, mas o início de uma nova batalha em favor do abastecimento hídrico do Nordeste. Agora era chegada a vez de o “Profeta das Águas” colocar no seu calendário a transposição do Rio São Francisco, para inundar com este líquido prodigioso grande parte do semiárido Nordestino. 

Antigo projeto, a transposição é o maior projeto hídrico do Brasil, com 477 km de canais, 9 estações de bombeamento e potencial para beneficiar cerca de 12 milhões de pessoas em 390 municípios dos estados PE, PB, CE e RN. O projeto de transposição do São Francisco começou a ser discutido na década de 1840, quando o intendente Marco Antônio Macedo propôs a ideia de deslocar as águas do rio para resolver a seca no Nordeste. O projeto foi retomado em 1886 pelo engenheiro Tristão Franklin Alencar, mas não avançou. A proposta foi apresentada novamente em 1896 e, finalmente, em 1986, durante o governo de Lula, onde o projeto foi oficialmente iniciado em 2007.

Aquele “velho” representante da igreja, que vivia com o seu alforje vazio, mas convidava para a mesa quem chegasse a sua casa, era incansável. Durante todo o tempo de sua permanência à frente da Paróquia representada pela Igreja São Paulo Apóstolos, nunca foi preciso um pedido expresso para que a sua dispensa estivesse abastecida por um sem número de cristãos que habitavam o seu entorno. E como ele conseguiu os recursos necessários para implementar a sua peregrinação ninguém sabe. O que se sabe é que no momento em que foi batida a “chapa” motivadora deste artigo o grupo estava em Pernambuco, especificamente na cidade de Petrolina, contigua a Juazeiro da Bahia. A tentativa era conscientizar uma população bastante cética quanto a esta intervenção nas águas do São Francisco, águas estas que ficavam próximas à sua foz e que seriam engolidas pelo oceano sem benefício para ninguém.

Este povo que vivia na área de atuação daquele “Padre” [na foto o tal “Hugo de Tal” (marido de Dailva), o “Padre Monsenhor Expedito”, a Freira Alba (hoje responsável pelo acervo do “Padre”), Davina (responsável pelo registro fotográfico), Luizinho (pai de Cleiton), Couto (técnico da Emater) e Santo Tito (egresso do Rio Grande do Sul através do Banco do Brasil)] também formavam o grupo que lhe dava sustentação naquela viagem. Foi uma jornada épica que propiciou conhecer as dificuldades enfrentadas na solução deste problema humanitário que, há tanto tempo, afligia uma parcela inquietante do Sertão Nordestino. Esse registro fotográfico é um documento que evidencia o trabalho e o respeito que deve ser depositado na conta do primeiro e efetivo representante da Igreja Católica em solo potengiense. Entretanto, é importante frisar para os habitantes do município que se encontram atrás dos trinta anos de idade, que tudo aquilo que representa ações sociais que existe em nosso município (educação, saúde, esporte, cisterna comunitária, carro-pipa, etc…), tem origem nas ações do “velho”. Não é à toa que sua estátua foi criada e está onde está.

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