A Feira Estadual da Agricultura Familiar em São do Potengi

Por Santo Tito

Nesse dezenove de maio de 2026 São Paulo do Potengi sediou a segunda Feira da Agricultura Familiar. Um evento que revitaliza a agricultura e fomenta o investimento neste setor essencial ao abastecimento de alimentos. Máquinas, equipamentos, Artesãos, quituteiras, representantes das diversas entidades de fomento à agricultura familiar (Sec. de Assistencia Social; Sec. de Saúde; CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento; IDIARN; Banco do Brasil; Banco do Nordeste; ACOPASA; ASAF/RN; Coop. Potengi; FETRAF ICAF/RN; e o Programa Nacional de CIDADANIA e BEM VIVER para mulheres rurais) estiveram presentes.

Este ano houve a introdução de uma novidade providencial. No folclore nordestino, a reunião de zabumba (tambor de duas peles, tocado com baqueta e bacalhau – vareta mais fina) marca o ritmo grave e a batida característica do forró; triângulo (Instrumento metálico que dá o som agudo e o contratempo, criando o balanço e a marcação rítmica; e sanfona (Responsável pela melodia e harmonia, conduzindo as músicas com solos e acompanhamentos) é chamada de trio de forró ou simplesmente trio pé-de-serra.
A importância cultural desse tipo de trio é como consideramos a formação tradicional do forró pé-de-serra, estilo popularizado por mestres como Luiz Gonzaga. A combinação dos três instrumentos cria uma sonoridade única, que representa a identidade musical do Nordeste. É a base para gêneros como xote, baião, arrasta-pé e xaxado, todos dançados em festas juninas e celebrações populares. Em resumo: zabumba dá o chão, triângulo dá o brilho, e a sanfona dá a alma.


Imagine a noite de São João acesa por fogueiras, bandeirolas coloridas tremulando ao vento e o povo reunido para dançar. Nesse cenário, surge o trio sagrado do forró pé-de-serra: a zabumba batendo forte, como o coração da festa, marcando o compasso que faz o chão tremer; o triângulo cintilando com seu som metálico, lembrando o brilho das estrelas que iluminam o sertão; e a sanfona abrindo seus foles e derramando melodias que parecem abraçar todos os presentes, conduzindo o baile com alegria e saudade. Juntos, eles não são apenas instrumentos: são a própria alma do Nordeste, a tradução musical da vida simples, da colheita, do amor e da resistência. Quando se encontram, formam um chamado irresistível — o povo se levanta, os pares se formam, e o forró acontece. É como se cada batida, cada acorde e cada repique fossem um convite: “Vem dançar, que a festa é nossa!”
Sem desmerecer os demais, em número total de cinco, a se apresentarem no evento, na atmosfera da Feira e na força da musicalidade nordestina, o que Chaguinha Forrozeiro e João Valfredo trouxeram ao palco é justamente essa essência que faz o público sentir o chão vibrar com a zabumba, o triângulo e a sanfona — símbolos que não apenas animam, mas também contam a história de um povo.

É interessante notar como, ao mesmo tempo em que novas bandas experimentam formatos diferentes, há esse apego à tradição que mantém viva a identidade cultural do Nordeste. O forró, o sertanejo e seus ritmos derivados não são apenas estilos musicais: são manifestações de pertencimento, de memória coletiva e de resistência cultural. Se pensarmos bem, essa dualidade — inovação versus tradição — é o que mantém a música nordestina tão relevante. Ela se reinventa sem perder suas raízes.

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