
Por Santo Tito
Por muitos anos o esgoto municipal de parte do bairro Assunção foi lançado no Rio Potengi. As tubulações que foram utilizadas para feitura do serviço faziam o despejo no limite de terreno particular, e dali os dejetos corriam a céu aberto até encontrar o rio.
A propriedade, onde eram jogados os detritos, fica no final da Rua Manoel Henrique esquina com a Raimundo Urbano de Araujo.
Há algum tempo atrás, com a expansão do município, prepostos da prefeitura estiveram fazendo uma varredura no local e chegaram a comunicar aos proprietários de então que iriam proceder a realocação da canalização.
Os mantenedores do terreno ao receber proposta de compra confirmaram o negócio. Como o esgoto não poderia mais passar por ali, em outubro do ano de 2025 o novo dono foi até a prefeitura solicitar pelo seu remanejamento. Como é natural, a pressa do novo proprietário tinha como objetivo a utilização da terra. Para conclusão dessa finalidade a prefeitura propôs um acordo que imediatamente foi aceito. Era o seguinte: Ele mandaria cavar a planta e a prefeitura, no prazo de aproximadamente uma semana faria a transposição das águas pútridas, tirando-as de dentro do terreno.
Como é de costume, órgãos públicos nunca conseguem manter os seus acordos. E o tempo foi passando. Buraco aberto, transformando o local numa ribanceira sem proteção, passaram-se mais de quatro meses e nada aconteceu. A prefeitura parece que tinha esquecido de combinar com a mãe natureza. Como o responsável pelas precipitações pluviométricas também havia esquecido da chuva do caju, entende-se que houve uma acomodação generalizada. Porém, com o aumento da temperatura, ela, a chuva, chegou com força inesperada.
E aconteceu o que o qualquer matuto saberia que iria acontecer. A cavação feita anterior a proteção que existia, determinou a queda da ribanceira que se formou, transformando o local perfeito para novos desabamentos, e assim criando um enorme transtorno para o adquirente.
Após o infortúnio, e com as intervenções extras que aceleraram os próceres do município a agirem, a rua que corria o risco de desaparecer foi concertada. Aproveitando a intervenção, achava-se que seria feita a referida transposição do esgoto das ruas conforme fora acordado. Como bem-dito, às vezes nossos administradores municipais, devido ao acúmulo de atribulações, permitem-se postergar uma ou outra tarefa. No referido caso o acordo foi totalmente descumprido. Na realidade, após a recomposição da rua, o que se seguiu foi simplesmente a criação de quatro “boeiras”, e continuou tudo como era antes no quartel de Abrantes.
Neste momento o atual dono está com as mãos na cabeça, pois sabe que, com a temperatura aumentando, a qualquer momento ele poderá perder metade da sua aquisição em função da cratera que ficou exposta à espera do próximo temporal. E agora ninguém sabe de quem foi o erro. Se da prefeitura que se excedeu no tempo de espera, ou se do consorte sem sorte que acreditou que ao fazer a cavação tudo estaria resolvido.
O nosso rio não é perene. Isto quer dizer que, durante a seca, quem mora no Juremal e à jusante da Barragem – direção do fluxo da água –, transita tranquilamente por dentro do leito seco do rio. Após essa pequena catástrofe, é “bem fativo” que essa passagem, em consequência da inconsequência de amadores, esteja prestes a não mais existir.

