Silvério Alves

Silvério Alves

COVID: proporção de pessoas com mais de 70 anos cai nas UTIs do país; por outro lado, há um processo de rejuvenescimento da pandemia no Brasil

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A pandemia de Covid-19 no Brasil continua grave, mas já apresenta sinais de melhora. Essa semana, pela primeira vez no ano, a taxa de transmissão da doença, chamada Rt, ficou abaixo de 1, o que indica desaceleração. No dia 24 de abril, houve, também pela primeira vez, queda real na curva de novos óbitos pela doença. Além disso, um levantamento da Fiocruz aponta diminuição na proporção de idosos com idade a partir de 70 anos internados em unidades de terapia intensiva no país.

De acordo com a última edição do Boletim Observatório Covid-19 Fiocruz, na primeira semana epidemiológica do ano (3 a 9 de janeiro), a proporção de pacientes com mais de 70 anos internados em leitos de UTI foi de 47,26%. Na semana epidemiológica 14 (4 a 10 abril), esta proporção foi de apenas 27,89%.

Houve desaceleração em todas as faixas etárias acima de 70 anos , sendo as mais substanciais de 80 a 89 anos (-62,69%) e a partir de 90 anos (-72,52%). Os pesquisadores não apontam um motivo para a queda, mas a vacinação contra a Covid-19 parece ter ajudado.

“Até o fechamento da semana epidemiológica 14, na grande maioria das grandes cidades brasileiras a vacinação já havia alcançado fase cuja faixa etária coberta com pelo menos a primeira dose era de pelo menos 70 anos”, escreveram os pesquisadores.

Rejuvenescimento

Em contrapartida, há um processo de rejuvenescimento da pandemia no Brasil. A semana epidemiológica 14 apresenta idade média dos casos internados de 57,68 anos, versus 62,35 anos na semana epidemiológica 1. Para óbito, os valores foram 64,62 anos versus 71,56 anos, respectivamente.

A demanda de leitos de UTI por adultos entre 20 a 29 anos aumentou 92,79% nesse período. De 30 a 39 anos, 79,94% e 40 a 49 anos, 74,57%. Com relação à distribuição dos casos e óbitos por faixa etária, o aumento global, para todas as idades, entre janeiro e meados de abril foi de 642,80%. Porém, enquanto as faixas etárias de 20 a 69 anos, mantiveram aumento superior ao global, naquelas de 70 até acima de 90, o crescimento foi inferior. A mesma característica foi observada nos óbitos.

“Desde o início do ano está se configurando uma modificação no perfil etário das hospitalizações por Covid-19, com um aumento de pessoas de pessoas jovens e redução de pessoas mais velhas. Acredito que uma parte disso pode ser creditada aos efeitos positivos da vacinação. Por outro, o aumento da população mais jovem afetada pode estar associado a diversos fatores, incluindo a variante P1, o colapso no sistema de saúde e o fato de essas pessoas estarem mais exposta, enquanto os mais velhos estão mais resguardados”, explica à VEJA a pesquisadora sênior da Fiocruz, Margareth Portela, membro do Observatório Covid-19 Fiocruz.

Vale lembrar que a manutenção dos cuidados preventivos, como uso de máscaras, distanciamento social, não aglomerar e higienização constante das mãos, é fundamental para que os índices continuem melhorando e o país não enfrente uma nova onda da pandemia.

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