Um dia eu vou quebrar este túmulo!

Por Silvério Alves Filho

Jó, o servo fiel, exclamou que “o homem, nascido de mulher, vive breve tempo e cheio de inquietação. Nasce como a flor e murcha” (Jó 14,1:2).

A efemeridade da vida, porém, foi superada pelo Cristo, o qual, morrendo e ressuscitando, destruiu a morte e nos trouxe a plenitude da vida (2 Tm 1:10).

Alguns dos que o seguem possuem maior sensibilidade ao Poder da Graça e, por isso, aproximam-se mais do Senhor, fazendo obras similares às suas (Jo 14,12).

Esses, chamados santos, são necessariamente humildes de coração, como humilde é o Cristo. Alguns, como São Padre Pio, possuem ainda uma resistência sobrenatural à decomposição da carne.

Pouco antes de morrer, Dona Nini Souto, ex-prefeita de São Paulo do Potengi, chamou-me à sua casa. Ela havia superado um câncer considerado incurável pelos seus médicos da época. Dona Nini era convicta de que a cura ocorreu por um milagre operado pelo Monsenhor Expedito, o Profeta das Águas.

Na mesma conversa, contou-me da sua tristeza por não ter preservado os documentos médicos que atestariam o milagre e me fez prometer que eu lutaria pela canonização do padre Expedito. Aceitei a missão. Pouco tempo depois, ela se foi.

Recentemente, meu pai foi diagnosticado com um melanoma metastático em estado muito avançado. Eu estava no meio da campanha eleitoral, como candidato a deputado. Após tomar conhecimento do diagnóstico em Natal, eu sabia aonde eu deveria ir.

Lembrando-me da promessa que fiz a Dona Nini, volto para São Paulo do Potengi, e vou até a Igreja Matriz, onde está sepultado o corpo do santo católico (ainda) não canonizado, Monsenhor Expedito. Peço que meu pai seja o instrumento para a sua beatificação.

Naquele momento ocorria na Igreja uma celebração, e o fotógrafo Magno Bruno, que lá estava para capturar as imagens, findou fotografando também a minha presença no túmulo do padre.

Hoje, finalmente, senti o desejo de publicar a foto da minha oração no túmulo que, assim como o de Padre Pio, há de ser quebrado para exposição do corpo de um santo, o qual, pela Graça de Deus, há de estar incorrupto.

Eu cumprirei a promessa, Dona Nini.

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