Tribuna do Norte publica artigo de Silvério Filho sobre Monsenhor Expedito

O jornal Tribuna do Norte publicou hoje (09) um artigo de Silvério Filho sobre o centenário de Monsenhor Expedito. A publicação foi realizada a pedido do Pastoral de Comunicação da Arquidiocese de Natal. 

Segue abaixo o artigo na íntegra, que teve algumas partes cortadas na versão publicada na Tribuna do Norte.


Monsenhor Expedito:
cem anos do sacerdote-profeta do sertão potiguar

Por Silvério Alves
Filho, estudante de Direito e “expeditiano”


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O Monsenhor Expedito, que se estivesse vivo
completaria 100 anos neste 13 de dezembro, foi um padre potiguar que soube como
poucos (pouquíssimos!) compreender as necessidades e os sofrimentos dos pobres,
inclusive carregando também para si tais dores. Conforme destacado pelo
Arcebispo de Natal, Dom Jaime, o padre Expedito foi um indivíduo ímpar, que
caminhou entre os tipos ideais weberianos do sacerdote e do profeta.

Em passagem marcante da obra “Pelos Caminhos
do Potengi (2ª ed., 2013, p. 23), o monsenhor relata que mudou sua forma de
encarar a pregação do Evangelho na seca de 53, quando, juntamente com outros
cinco padres, presenciou um “formigueiro humano” de cassacos, trabalhando na
construção do açude público ‘Pataxó’. Lá, um cassaco anônimo, vendo o grupo de
padres, foi na direção dele e suplicou: “Seu vigário, nos tire desta
escravidão, pelo amor de Deus”. Aquela situação drástica o fez lembrar das
palavras de Castro Alves, em “Navio Negreiro”: “Senhor Deus dos desgraçados! /
Dizei-me Vós, Senhor Deus,/ Se é loucura, se é verdade, /Tanto horror perante
os céus!”. Daí em diante, percebeu, definitivamente, que não podia rejeitar a
súplica de um pobre, nem desviar dos indigentes seu olhar (Eclo 4,4).

Revestindo-se da misericórdia do Nosso Senhor Jesus
Cristo, Monsenhor Expedito, além de sacerdote, passou a ser também o profeta
daquele povo. A  título de exemplo,
realizou, na Semana Santa de 58, a primeira Coleta da Fraternidade, embrião da
Campanha da Fraternidade, hoje de nível nacional; instalou escolas radiofônicas
e comunidades eclesiais de base, para alfabetizar e evangelizar as populações
carentes; promoveu seminários de educação política, explicando em linguagem
simples a legislação eleitoral; fundou o sindicato rural local, para que os
trabalhadores pudessem buscar seus direitos; construiu, com ajuda das Irmãs da
Divina Providência, a “Cisterna da Paróquia”, para distribuir água para a
população pobre…

Este trabalho pastoral ficou conhecido
internacionalmente, a ponto de o padre José Marins (1965, p.11), guardada as
devidas proporções, afirmar que “ir
a Natal sem conhecer Monsenhor Expedito era quase como ir a Roma e não ver o
Papa”. Para conhecer estas experiências, vieram a São Paulo do Potengi, dentre
outros, o Padre François Houtart, sociólogo de renome internacional; Pe.
Emile Pin, professor da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma; Pe. Eugênio
Collard, de Lovaina; Prof. Eurico Van Roosemalen, da Holanda; Luís Carlos
Mancini; Pe. Tiago Cloin, Secretário Geral da Conferência dos Religiosos do
Brasil; o secretário-geral da CNBB, a televisão americana CBS (MARINS, 1965, p.
116).

Mesmo após os 70 anos, padre Expedito não cansou de
lutar pelo seu povo, passando a dedicar os últimos anos de sua vida à “cruzada”
para levar água de qualidade para o sertão do RN.

Como consequência das audiências
públicas por ele impulsionadas, com o apoio da Arquidiocese de Natal, foi
promulgada a lei estadual 7.029/97, que instituía a Adutora
Agreste/Trairi/Potengi, dispondo para esta o nome de Monsenhor Expedito Sobral
de Medeiros, em sua homenagem. Inaugurada em 1999, hoje suas  águas banham pelo menos
30 municípios e 271 comunidades.

Quase como Moisés, que guiou seu
povo até a Terra Prometida, mas não viveu suas benesses, o pároco de São
Paulo do Potengi não teve muito tempo para vivenciar a vinda da água doce,
tendo falecido em 16 de Janeiro de 2000, há 16 anos.

Mas ele não precisava vivenciar a
água doce. Não era por si que lutava, mas pelo seu povo. Lutara o bom combate
do sacerdócio. Sua profecia estava cumprida; sua promessa, efetivada. Foi-se
tranquilo para o lado de Deus, consoante escreve no final do último capítulo de
“Pelos Caminho do Potengi”, intitulado “Doente de querer
bem”: “Quando Deus me chamar, partirei mais maneiro do que quando aqui
cheguei; irei ‘escoteiro’, como dizem os tropeiros, sem nenhuma preocupação
material. A Jesus sejam dadas toda honra e toda glória. Amém.” 

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