
Por Santo Tito
O nosso mundo é feito de bons e maus exemplos. As vezes nos deparamos com situações que parecem brotar do divã de um psicanalista. Outro dia, quando em companhia do diretor deste Blog e pela observação feita por ele, fui levado a colar minha visão num senhor empurrando uma carrocinha. Dentro do conteúdo de sua observação estava a descrição do que constava no interior daquela “carruagem”. A prova concreta de uma resiliência ininterrupta, parte de uma labuta diária durante os últimos dezesseis anos levando para dentro de casa o sustento da família. Com chuva ou sem chuva. Com sol escaldante ou com baixa temperatura. No centro da cidade ou nos bairros periféricos. Era a salada de frutas. E, a partir desse relato, pesquisando e fazendo entrevistas passei a reconhecer pessoas que sempre estiveram, por muito tempo, bem próximas a mim. A sogra do senhor Everaldo, o nosso “Salada de Frutas”, Dona Francisca Quirino, que já não pertence a este plano, sendo mãe de sua esposa Maria do Socorro, foi a primeira pessoa a ajudar na criação de meus filhos. Por sinal uma excelência na cozinha.
Assim como uma salada de frutas reúne diferentes sabores, cores e texturas, a vida desse trabalhador é feita de dias bons e ruins, de sol e chuva, de calor e frio. Cada fruta representa um desafio ou uma vitória, e juntas formam algo nutritivo e valioso. Trabalhar sob sol escaldante ou chuva forte mostra a capacidade de adaptação. Circular entre o centro e os bairros periféricos revela a busca constante por oportunidades. A carrocinha simples, mas essencial, é símbolo de luta e perseverança. Esse senhor, exemplo para todos nós, não apenas vende frutas, ele nos ensina que a vida exige constância, coragem e fé. A verdadeira resiliência não é ausência de dificuldades, mas a força de continuar apesar delas.
Dignamente limpo e uniformizado, um sorriso no rosto e uma abordagem delicadamente educada, faz com que os seus clientes diários, que já são muitos, até o protejam. A vida, muitas vezes, se apresenta como uma salada de frutas: cheia de contrastes, cores e sabores. Há dias doces como o melão, outros ácidos como o limão, alguns intensos como a manga madura. Mas, quando tudo se mistura, percebemos que cada pedaço tem sua importância na construção de algo maior e mais nutritivo. Assim é a jornada daquele senhor que empurra sua carrocinha pelas ruas. Ele não carrega apenas frutas; carrega histórias, esperanças e a prova viva de que a resiliência é o tempero essencial da existência. Sob o sol escaldante ou a chuva fria, ele segue. No centro movimentado ou na calmaria dos arredores, ele não desiste. Cada passo é uma declaração silenciosa de coragem, cada venda é um tijolo na construção da dignidade de sua família.
Resiliência é não esperar condições perfeitas. É levantar-se todos os dias, mesmo quando o corpo pede descanso. É acreditar que o esforço de hoje se transformará em sustento amanhã. É compreender que a vida não se mede apenas pelo conforto, mas pela capacidade de enfrentar o desconforto sem perder a fé. O exemplo inspirador desse trabalhador nos ensina que não importa quantas vezes a vida nos desafie, sempre podemos escolher continuar. Ele mostra que a verdadeira força não está em evitar a tempestade, mas em caminhar dentro dela com firmeza. A mensagem final que fica é a de que sejamos como essa salada de frutas: aceitemos os contrastes, valorizemos cada pedaço da sua história e os transformemos em energia para seguirmos em frente. A resiliência não é apenas sobreviver, é florescer em meio às adversidades.
