
A vacina é segura e considerada a estratégia mais eficaz de prevenção contra a gripe. Foto: Elisa Elsie/Governo do RN/Arquivo
Cinco anos após a pandemia, o Brasil continua majoritariamente pró-vacina, mas uma pesquisa nacional revela sinais de afastamento preocupantes. Enquanto 72,1% dos entrevistados declararam adesão aos imunizantes, o índice dos que disseram não aderir plenamente às campanhas de vacinação chega a 27,9%. Desse total, 9,9% afirmaram que não se vacinam, 9,2% abandonaram a imunização na pandemia de covid-19 e 8,8% preferiram não responder. O índice representa risco ao Programa Nacional de Imunizações, um dos pilares históricos da saúde pública no país.
A adesão às vacinas não é homogênea e segue padrões. Entre pessoas com 60 anos ou mais, chega a 78,3%; de 45 a 59 anos cai para 75,5%; de 35 a 44 sobe para 78,1%. Nas faixas mais jovens a queda é grande: 62% entre as pessoas de 25 a 34 anos, e 62,9% de 16 a 24. Regionalmente, os extremos estão no Sudeste, com 77,2% de adesão aos imunizantes, contra 62,5% no Norte.
A orientação ideológica também influencia o comportamento vacinal. Entre pessoas de esquerda, a adesão é de 80%, contra 63% entre as de direita – evidência de que a politização da vacinação ainda afeta decisões individuais. Diferenças aparecem também por religião: católicos apresentam adesão de cerca de 75,6%, ante 66% entre evangélicos. Já nos recortes de classe econômica e escolaridade, os índices são semelhantes.
“Os dados revelam que o enfraquecimento da vacinação ocorre em grupos com menor percepção de risco, mais suscetíveis à desinformação e em regiões com maiores desafios estruturais”, observa Pedro Arantes, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do levantamento.
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