Patrão e empregado uma estrada de mão dupla

Por Santo Tito

Nós somos, por natureza, seres bastante contraditórios. E se não fosse assim não existiria política da forma como a conhecemos. Pois com ela devemos coabitar para que, democraticamente, possamos entrar num acordo sobre os diversos temas que são conflitantes. Assim é o corpo diretivo dos clubes de futebol, nos partidos políticos, também nas assembleias, nos grupos estudantis. Qual seria a graça se naquela hora da geladinha no “butiquim” da esquina todos torcessem “pro” mesmo time?
E com base nesse contexto existencial é que existe uma pequena guerra invisível entre patrão e empregado, e que não é perceptível para quem não estiver atento. Já perceberam que sempre entre eles permanece alguma nuance que não é bem interpretada pelo dois? Mas não vamos desqualificar as características particulares do indivíduo por ter uma visão crítica diferente dos demais sobre determinado assunto.
Na realidade, esse prólogo tem como ideia principal lançar luz sobre um dos acontecimentos que, atualmente, estão ocorrendo nas margens da Barragem Campo Grande. Agora, com a chegada das chuvas que iluminaram aquele recanto, tanto os nativos como os visitantes têm se regozijado com a beleza do espraiamento das águas e a formação de pequenas cachoeiras ao longo do leito por onde corre o Rio Potengi. De tal maneira que, para grandes pecuaristas como para os pequenos agricultores, a natureza, ao patrocinar tanta alegria com a entrega desse líquido maravilhoso, também permitiu a aproximação dos dois participantes daquela “pequena guerra invisível”.
Já intuíram que patrão e empregado têm o mesmo objetivo? Não existe empresa sem o empreendedor. Como também não existe emprego sem a empresa. E assim, nessa engrenagem também não existe a empresa sem o empregado. Com essa visão é que nos debruçamos diante dessa parábola, isso após nossa curiosidade ter-nos levado até à beira da Barragem Campo Grande. Ali, numa alegria desmesurada e contagiante, nos deparamos com uma pequena multidão em volta de uma churrascada e um carro de som fazendo a festa. Antes que a nossa indiscrição perguntasse qual era o acontecimento que estavam festejando, um conhecido se aproximou e logo adiantou a motivação.
Naquele sábado, dia dezoito de abril do ano em curso, a confraternização fazia referência ao cumprimento de um acordo produzido pelos diretores da fábrica de castanhas Greenlife Cashew, Daniel e Jilarde, pertencente ao GRUPO JPX. De conformidade com a informação que nos foi prestada, era que se houvesse a sangria da barragem a empresa patrocinaria uma folia para todo o corpo funcional. E o que era para acontecer, aconteceu. E ali o júbilo estava acontecendo.
Agora queremos fechar com chave de ouro o episódio que desmistifica aquela “pequena guerra invisível”. Pois, se puxarmos pela nossa consciência, os diretores acima nominados e o Sr. Junior Praxedes (vamos chamá-lo de Diretor Presidente), sendo os alicerces dessa relação patrão e empregado, ou empregado e patrão, precisam coexistir nessa estrada de mão dupla. Os destinos são os mesmos. O empreendedor não sabe – ou não quer saber de – ser rentista (viver de renda). Na contramão tem aquele empregado que não tem aptidão para o empreendedorismo. Assim, necessariamente, um precisa do outro. E essa relação só existe se houver consenso. O rentista não cria empregos. Não traz desenvolvimento, prosperidade. Não ajuda a administração pública. Apesar das tensões invisíveis, dentro de uma coexistência pacífica ambos caminham na mesma estrada e dependem um do outro para que a engrenagem da vida econômica funcione e transforme São Paulo do Potengi numa economia cada dia mais pujante.

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