
Gabriel Anjos, ICL Notícias – Duas deputadas do Partido Liberal (PL), eleitas pelo Paraná e pelo Rio de Janeiro, recorreram às redes sociais para estimular empresários a dispensar funcionários que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As publicações foram feitas nesta segunda-feira (26), um dia depois da vitória do petista sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. A conduta defendida pelas parlamentares é considerada discriminatória e pode gerar punições na Justiça do Trabalho.
No Paraná, a vereadora de Londrina e deputada estadual eleita Jessica Ramos Moreno (PL), conhecida como Jessicão, recomendou abertamente a demissão de trabalhadores ligados ao PT. Ela também sugeriu que seus seguidores deixassem de contratar prestadores de serviço e cortassem amizades com apoiadores de Lula.
Em publicação no X (antigo Twitter), Jessicão listou empregadas, funcionários e até barbeiros petistas como alvos, com a orientação: “Tem um funcionário que é petista? Demita!”. Na mesma postagem, a deputada eleita alegou que o voto em Lula prejudicaria os negócios, as famílias e a vida dos empregadores, usando o resultado das urnas para justificar o rompimento de laços profissionais e pessoais.
Jessicão foi eleita para a Assembleia Legislativa do Paraná com 131.673 votos, sendo a candidata mais votada ao Legislativo estadual. Hoje cumpre o segundo mandato como vereadora de Londrina e é conhecida pela defesa de pautas conservadoras.
Deputada mais votada do RJ também incentiva demissões
No Rio de Janeiro, a deputada estadual Índia Armelau (PL), dona da maior votação para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em 2026, seguiu a mesma linha.
A parlamentar orientou empresários a vasculhar as redes sociais dos empregados em busca de sinais de apoio a Lula, como o gesto do “L”, e afirmou que não faria sentido manter na empresa quem, segundo ela, odeia empresários.
Com cerca de 914 mil seguidores no Instagram, a deputada é uma das vozes do bolsonarismo na Alerj e usa com frequência suas plataformas para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em seu primeiro mandato, Índia ganhou destaque ao propor a criação de banheiros específicos para pessoas trans em estabelecimentos públicos do estado.
Demissão por posição política pode gerar condenação
A legislação brasileira proíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho. A dispensa de empregados motivada por convicções políticas pode ser enquadrada como discriminatória e levar a condenações judiciais, com pagamento de indenização e até reintegração ao cargo.
O advogado criminalista Marcelo Colen avalia que a orientação de Jessicão é preocupante, por estimular uma prática ilegal. Segundo ele, demitir alguém por seu posicionamento político configura dispensa discriminatória e pode resultar na condenação do empregador ao pagamento de indenização. O especialista pondera, porém, que esse tipo de demissão não constitui crime por si só.
A Lei nº 9.029/1995 prevê mecanismos de proteção contra discriminação no trabalho. Quem comprovar ter sido demitido por razões políticas pode buscar reparação na Justiça, com reintegração ou indenização, a depender do caso. A proteção vale também para os empregados domésticos, categoria mencionada diretamente por Jessicão.
Além das consequências para os empregadores, manifestações que incentivam discriminação no ambiente de trabalho podem ser investigadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), inclusive quanto à ocorrência de dano moral coletivo.
