INTERFERÊNCIA ESTRANGEIRA:

Em mensagens internas, Meta admite que contas de Lula foram prejudicadas por restrições

Por Patrícia Campos Mello

(Folhapress) – Em mensagens internas da Meta obtidas pela Folha, funcionários da empresa admitem restrições que prejudicaram as contas do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Instagram e recomendação algorítmica do perfil de Flávio Bolsonaro (PL) na plataforma e no canal do candidato no WhatsApp, prática vedada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em uma das mensagens, o funcionário da Meta A. G. afirma que a conta de Lula estava “limitada” em comparação à de Flávio e que isso seria negativo pela “alta chance” de haver ação jurídica.

A frase se refere a episódio do dia 9 de outubro, quando o perfil oficial de Lula ficou impossibilitado de impulsionar postagens feitas no feed do Instagram por quase 24 horas.

A campanha conseguia impulsionar novos conteúdos nos chamados dark posts, bem como os impulsionamentos antigos continuavam no ar. Estava impedida, porém, de pagar para aumentar o alcance de postagens que estavam no feed, que é a forma mais usada de impulsionamento e de maior eficiência para o treinamento do algoritmo.

Segundo a estimativa da campanha de Lula, cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de ver os anúncios por causa da restrição.

Como o TSE proíbe a recomendação algorítmica de contas de candidatos, o impulsionamento é a única possibilidade de políticos aumentarem o alcance de suas postagens e fazerem propaganda eleitoral em ambiente digital. A Meta detém virtual monopólio em propaganda eleitoral pela internet na eleição de 2026, já que o Google deixou de vender anúncios políticos em 2024 e o Kwai oferece de forma muito restrita.

O problema com o impulsionamento foi reportado à Meta e registrado nas mensagens internas. A versão oficial é que havia um “problema técnico” no gerenciador de anúncios.

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