Cultivada no semiárido potiguar, sisal surge como material sustentável na indústria

Foto: Reprodução

Uma pesquisa conduzida por cientistas do Rio Grande do Norte e do Ceará avaliou as propriedades de fibras de sisal (Agave sisalana) cultivadas no semiárido nordestino, apontando a planta como uma alternativa promissora e sustentável para compor biocompósitos que reduzam o uso de materiais derivados de petróleo. O trabalho, publicado na Revista Matéria, mostra que a fibra regional pode ser aplicada como reforço estrutural na fabricação de biocompósitos voltados para a indústria automotiva e a construção civil, unindo desenvolvimento econômico, desempenho técnico e redução de impactos ambientais.

As fibras de sisal se destacaram nos testes laboratoriais por apresentarem uma densidade média de 1,15 g/cm³. Esse valor é significativamente menor que o da fibra de vidro comercial (muito utilizada na indústria), que gira em torno de 2,5 g/cm³. Na prática, essa leveza se traduz em vantagens ambientais diretas e em maior eficiência logística. No entanto, em resistência mecânica, o sisal ainda fica abaixo da fibra de vidro: a resistência à tração máxima obtida foi de 242 MPa, valor inferior tanto à faixa reportada na literatura para o sisal (274 a 855 MPa) quanto à fibra de vidro convencional, cuja resistência média é de aproximadamente 2.500 MPa. Os autores atribuem essa variação a fatores como condições climáticas, tipo de solo e práticas de cultivo específicas do semiárido nordestino.

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