
Por Santo Tito
A verdade sobre os motociclistas. Quem são eles?
Os grupos de motoqueiros, ou motoclubes, surgiram como uma forma de unir aqueles apaixonados por motos, especialmente após a popularização dos veículos no pós-Segunda Guera Mundial. Esses clubes foram formados por ex-militares que buscavam reencontrar a adrenalina e o senso de pertencimento que haviam deixado para trás.
Após a Segunda Guerra Mundial, inúmeros veteranos que voltaram para a América, tiveram dificuldade para se reajustar à vida civil. Tudo era muito monótono para a sensação de excitação e perigo com a qual haviam se acostumado, por isso passaram a procurar atividades que lhes trouxessem a mesma adrenalina que tinham quando estavam em campo de batalha.
Ao mesmo tempo queriam ter novamente os laços de confiança e a camaradagem que existiam entre os homens do exército americano. Eles também queriam combater as terríveis memórias de guerra que os assombravam e os fizeram desenvolver o tão falado “transtorno de estresse pós-traumático”. Uma das formas que encontraram, foi a associação aos motoclubes, que traziam um substituto para experiências de guerra, no que dizia respeito à aventura, confiança, emoção, perigo e camaradagem. Isso fez com que a popularidade do motociclismo crescesse dramaticamente após a Segunda Guerra Mundial.
Porém, na cidade de Hollister, Califórnia, entre 3 e 6 de julho de 1947, especialmente nesse período, durante um evento que ocorria anualmente, a cidade recebeu um número de motociclistas muito superior ao que sua infraestrutura permitia. Todos eles tinham como objetivo socializar com outros motociclistas, o que significava, beber. Esse seria o estopim para um fato que mudaria a história do motociclismo.
Tudo poderia ter sido apenas um final de semana confuso, porém, a imprensa sensacionalista, decidiu afirmar que motociclistas, haviam “tomando sobre a cidade” e criado um “pandemônio” em Hollister. A dramatização mais forte do evento foi uma foto, considerada por muitos como encenada, de um homem bêbado sentado em uma motocicleta e cercado por garrafas de cerveja, publicada na revista Life. Fotos e afirmações irreais sobre o evento, chamou a atenção nacional, que se convenceu que aquilo seria verdade, trazendo uma impressão negativa sobre os motociclistas, que passaram a serem vistos como “foras da lei”. A imprensa, no entanto, percebendo que a história vendia bem, passou a publicar sistematicamente o lado negativo dessa organização.
A notícia de motociclistas “arruaceiros” repercutiu em outras cidades que ainda estavam se recuperando dos estragos feitos pela Segunda Guerra Mundial e estavam com medo de uma iminente guerra fria, por isso, a nação começou a temer os “motociclistas violentos” e marginalizar os motoclubes.
No Brasil a primeira associação fundada em 1927 foi o “Moto Clube do Brasil” sediado na Rua Ceará no estado do Rio de Janeiro, alguns anos depois, mais precisamente em 1932 surgiu o Moto clube de Campos. E talvez sejam estes os mais antigo MC que se tem notícia no mundo.
O final da década de 60, fixou o motociclista como ícone de liberdade e resistência ao sistema. Algo muito positivo para se falar a respeito desses grupos, é que todos estão envolvidos constantemente em ações solidárias de ajuda à sociedade. Haja vista o MOTOFEST que acontece em São Paulo do Potengi há exatos dez anos, sem a ocorrência de um empurrão sequer. A gentileza e a educação são os limites.

