Perenização do Rio Potengi: É possível?

Foto do Rio Potengi com cheia/reprodução ilustrativa

Por Santo Tito


A transposição das águas do Rio São Francisco ainda é uma incógnita para o potengiense. Muitos acreditam na perenização desse nosso curso d’água. Essa interrogação nos levou a pesquisar como realmente o futuro se apresenta, de maneira a termos uma realidade concreta sobre o tema. Para tanto solicitamos uma audiência com o sapiente Dr. Google a fim de que ele pudesse nos auxiliar a esclarecer essa indefinição.
O projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacia Hidrográficas do Nordeste Setentrional foi concebido para enfrentar a escassez de água na região semiárida do nordeste brasileiro. Essa área, que abrange cerca de 57% do território nordestino, enfrenta problemas crônicos de seca, afetando a agricultura e a segurança alimentar da população.
O projeto de transposição das águas do Rio São Francisco começou a ser pensado na década de 1840, durante o império do Brasil, sob o reinado de Dom Pedro II. A ideia de desviar a água do rio para abastecer a região nordeste foi proposta em 1847, como uma solução para a seca que afetou a região. Após mais de um século o projeto foi retomado em 1985. Transcorrido anos de estudos e debates foi oficialmente iniciado em 2007, e lá se foram mais de vinte anos, com o término previsto para 2022. Mas até esta data (2025) a obra não foi concluída.
Nesse interim foi feita uma meia sola com a Barragem Campo Grande, inicialmente projetada para reter noventa e seis milhões de metros cúbicos de água, reduzida para vinte e três milhões por falta de recursos financeiros e, por uma decisão dos nossos próceres, visando um substancial desenvolvimento socioeconômico para a região, agora ainda teremos que a dividir com uma mineradora a ser instalada em outro município. Porém, já perceberam que não falta absolutamente nada para o nosso tão amado Congresso Nacional e seus apêndices fazerem o que querem, sem que nós saibamos o que está sendo feito e onde?
O Projeto de Integração do Rio São Francisco leva água para quatro estados do Nordeste: Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte onde a água chega pelo Eixo Norte, através do ramal Apodi e do ramal Seridó, que são obras complementares beneficiando diretamente cidades como Caicó, Currais Novos, Acari, Jardim do Seridó, Parelhas, Carnaúba dos Dantas, Lagoa Nova, Florânia, São Vicente, Cruzeta, Ouro Branco, Santana do Seridó, Tenente Laurentino Cruz, Bodó, Cerro Corá, Equador, Ipueira, São João do Sabugi, Timbaúba dos Batistas e Jardim de Piranhas.
Em resumo, o Seridó e o Alto Oeste são as regiões mais diretamente beneficiadas, mas o impacto se estende a todo o estado, inclusive à Região Metropolitana de Natal, POR MEIO DA INTEGRAÇÃO DOS SISTEMAS HÍDRICOS. E o que se entende por “meio da integração dos sistemas hídricos”?
Pensávamos serem os leitos dos rios. Mas não. As águas entram pelo município de Jardim de Piranhas, após seguirem pelo Rio Piranhas, vindo da Paraíba. Daí em diante a distribuição será feita pelo SISTEMA DE ADUTORAS, em fase de construção, até a área metropolitana de Natal, com a captação da água sendo feita em reservatórios já existentes, ou seja, armazenada nas barragens de Oiticica e Armando Ribeiro Gonçalves. Procedimento esse que, mesmo exequível, inviabiliza a ideia de a perenização ser feita através da conexão entre Lagoa Nova e Cerro Corá onde fica a nascente do Rio Potengi. E aqui nos despedimos do professor Google, sempre disposto a nos atender tanto de dia como à noite. Na esperança de que sejamos beneficiados com invernos regulares pelos próximos trinta anos, tempo de duração do contrato com a mineradora.

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