
Por Santo Tito
O reconhecimento de um idealizador ou de quem constrói uma história pode acontecer de várias formas — e todas elas ajudam a preservar a memória coletiva e dar valor ao legado cultural. Algumas Formas de Reconhecimento Histórico podem se dar através de registro escrito ou produção de crônicas, livros ou artigos que contem a história da cidade e de seus personagens. Isso eterniza os acontecimentos e dá voz às memórias locais. Outra forma é a memória oral gravando entrevistas com moradores antigos, líderes comunitários ou pessoas que vivenciaram os fatos. Esses relatos podem virar acervo para escolas, museus ou centros culturais.
O patrimônio cultural também pode se dar criando espaços de preservação da memória com exposições fotográficas que mostrem a evolução da cidade e seus marcos; eventos comemorativos com feiras culturais ou semanas históricas que celebrem os fundadores, idealizadores e figuras importantes da comunidade; reconhecimento público dando nomes de ruas, praças ou instituições a pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da cidade, garantindo que sua memória esteja sempre presente no cotidiano; inclusão da história local nos currículos escolares, para que as novas gerações conheçam e valorizem suas raízes. O mais bonito é que esse reconhecimento não precisa ser grandioso: pode começar com pequenos gestos, como uma crônica publicada em jornal local ou um mural na escola.
A São Paulo do Potengi, pequena e acolhedora, guarda em suas ruas estreitas e em seus dois bairros lendários — o “Vai quem Qué” e a “Rua da Usina” — histórias que se confundem com a própria identidade da cidade. O centro, coração pulsante, era ocupado por símbolos que ainda hoje ecoam na memória: o Banco do Brasil, a Igreja de Monsenhor Expedito, o mercado de Seu Rivaldo, os comércios de Ilza de seu Nicó, de Seu Chaguinha e de Dona Geni. A Câmara de Vereadores, o Mercado Municipal e seu Arnô da Bomba (referencial do posto de gasolina) completavam o cenário de uma cidade que parecia caber inteira em poucas quadras.
Naquele tempo, o Bar do Quinha era o reduto da burguesia local, ponto de encontro onde se discutia política, negócios e, claro, as histórias do dia. O lazer se resumia ao Clube Lítero Recreativo, ao Bar da Praça e aos forrós espalhados pela zona rural, que embalavam noites de sanfona e zabumba. Mas nada se comparava ao espetáculo natural das cheias do Rio Potengi, que transformavam o cotidiano em festa e atraíam olhares curiosos de toda a região.
O Parque de Vaquejada ainda não existia. Sua criação, obra de Geraldo Macedo Costa — que viria a ser prefeito — marcaria uma nova fase na vida cultural e esportiva da cidade. Até então, a feira semanal era o grande palco da vida social. Ali, entre barracas improvisadas e vozes que se misturavam, aconteciam episódios tão pitorescos que dariam um livro inteiro. Era o espaço onde se comprava, vendia, negociava, mas também onde se ria, se brigava e se contava causos que atravessaram gerações.
São Paulo do Potengi não é apenas um município, mas um verdadeiro mosaico de memórias, personagens e tradições que, se bem narrados, podem transformar um livro em algo memorável. A ideia de reunir esses detalhes marcantes — desde os costumes antigos, passando pelas figuras históricas locais, até os lugares que moldaram a identidade da cidade — cria uma narrativa que vai além da simples descrição geográfica, podendo se transformar num verdadeiro “Best Seller”.



