
Por Santo Tito
Depois de treze anos sem o inverno nordestino a Barragem Campo Grande se redime e refloresce direto, exibindo-se com três anos seguidos de sangria. Após tantos anos de seca, a sequência de cheias realmente simboliza uma espécie de renascimento — quase como se o espaço tivesse voltado a respirar. Devolvendo vida e esperança à região. O manancial, antes marcado pela escassez, hoje se exibe como símbolo de abundância e renovação.
Com as chuvas de 2024, e especialmente ao final de 2025, o espaço ganhou um novo marco cultural: uma capela dedicada aos noivos, oferecendo um cenário menos burocrático e mais poético para quem deseja dar vazão à sua jornada matrimonial. Uma iniciativa que une natureza e afeto, transformando o encontro das águas em metáfora para o curso da vida.
A arborização da orla e a criação de uma escadaria arquitetonicamente segura, que conduza à laje por onde escorrem as águas da cheia, podem acrescentar charme e beleza ao espaço, tornando-o um ponto de contemplação e celebração para visitantes e moradores que se deliciam com o líquido aquoso escorrendo pelos seus corpos, minimizando o calor.
Ao redor do manancial, surgem novos empreendimentos, como o Restaurante Recanto das Águas, que já demanda mão de obra qualificada e projeta oportunidades para investidores futuros. O que antes era apenas um reservatório de sobrevivência, hoje se consolida como polo de cultura, lazer e desenvolvimento econômico.
A Barragem Campo Grande, portanto, não é apenas um reservatório de água: é um reservatório de histórias, de encontros e de possibilidades. Se existe Alguém Superior a nós, pobres terráqueos, esse Alguém não irá permitir que sejamos substituídos por um capricho econômico de alguns rentistas com capacidade financeira para criar seus próprios resorts, e em razão disso não precisariam destruir tudo aquilo que a mãe natureza, com o auxílio emanado da luta de tantas pessoas (políticos, representantes da igreja e da sociedade organizada) que batalharam arduamente pela existência desse quinhão de terra e água que tanto nos faz feliz. Vamos dividir o pão. Ainda dá. É só pensar nas possibilidades econômicas que dela podem advir, e cujo vazio não se visualiza como preencher com o tanto de recursos que ela potencializa.
Um detalhe a se observar: Verifica-se que a Jusante da Barragem Campo Grande (indica a direção para a foz do rio), foram plantados aproximadamente uns dez exemplares de Nim indiano. Pelos que as pesquisas indicam, essa é uma árvore invasora que está sendo banida do território brasileiro. Por experiência vivida de quem a plantou, também pela falta de predadores naturais, sabe-se que ao seu redor nada cresce, e na sua busca por água as raízes se desenvolvem o suficiente até encontrá-la. Isso significa que não tem limite de crescimento. Seria muito interessante essa verificação por quem de direito, a fim de que fosse avaliada a veracidade da ocorrência. Pois, diante da existência de fato concreto, as paredes da nossa rainha poderiam estar correndo sério risco.
