
Por Santo Tito
Hoje, parece óbvio: o dólar manda. Mas tudo começou em 1944 numa pequena cidade americana durante a Segunda Guerra – Breton Woods, Hampshire, EUA. Palco de uma das decisões mais importantes da história econômica moderna onde 44 países se reuniram para entender como reconstruir uma economia em ruínas. O velho sistema financeiro havia falhado. A ideia era simples, mas ao mesmo tempo muito audaciosa: Criar um sistema monetário estável e que evitasse o caos das décadas anteriores. Onde se realizou a primeira conferência, inapropriadamente, do pós-guerra, foram criados os seguintes órgãos internacionais: FMI, BANCO MUNCIAL E BIRD, e a OMC. O mundo precisava de estabilidade — e de uma moeda que servisse de referência.
Para melhor entendermos como se deu essa liderança dos EUA, temos que voltar ao palco final da primeira guerra mundial quando foi assinado o Tratado de Versalhes. Ali as potências vencedoras, incluindo os Estados Unidos, Reino Unido, França e Itália, se
reuniram para discutir os termos de paz, enquanto a Alemanha, como país derrotado a quem foi atribuída toda a responsabilidade da guerra, não teve direito a participar das negociações. A ela o Tratado impôs indenizações na ordem de 33 bilhões de dólares; perdeu 13% do seu território e as colônias da África e Ásia; teve o tamanho e a capacidade do seu exército limitados; e foi criada a Liga das Nações, organização destinada a promover a paz e a cooperação internacional. Os EUA não ratificaram o tratado. Essas imposições geraram ressentimentos, contribuindo para a ascensão do nazismo e Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos só entraram na Segunda Guerra Mundial em 1941, após o ataque a Pearl Harbor, Havaí, que destruiu parte de sua frota no Pacífico, motivando declarações de guerra contra o Japão, Alemanha e Itália. Durante o conflito, sua participação foi decisiva, mobilizando a economia para abastecer aliados e liderando campanhas.
E foi assim que nasceu o Acordo de Bretton Woods: todas as moedas passariam a ter o dólar como base, e o dólar seria lastreado em ouro. Na prática, o mundo decidiu confiar nos EUA como seu novo banco central e o impacto foi gigante. Porém, a confiança no sistema começou a erodir na década dos anos 60, pois vendo que não mais existia lastro em ouro para subvencionar a grande emissão de dólares, em 1971 o então presidente Richard Nixon, unilateralmente, acabou a conversão do dólar em ouro. Então, com base em um acordo não escrito com os produtores de petróleo, a commodity mais poderosa do planeta, o comércio internacional passou a ser precificado na moeda americana, adotando o dólar como referência. Nascia o Petrodólares.
Isso garantiu uma demanda contínua e inabalável. Hoje os EUA, através do lançamento de títulos do tesouro, imprimem sua própria dívida em dólares (US$ 38 trilhões, representando 130% do PIB do país) que eles mesmos emitem, algo impossível para qualquer outro país, já que o dólar é a moeda global de reserva. Uma dívida que, se cobrada, pode causar uma hecatombe financeira global de proporções imprevisíveis, levando vários países a ruina. Algo que nos faz acreditar que Donald Trump está certíssimo quando se diz “DONO DO MUNDO”. Os BRICS são fortes, mas ainda estão muito longe.
