Roubando a cena

Por Santo Tito
Atendendo ao gentil convite de Flavio de Souza, proprietário do restaurante Mandacaru, no feriado estadual da sexta-feira do dia 03 de outubro de 2025, este colunista e o senhor Silvério Alves nos dirigimos ao seu restaurante na charmosa Lagoa de Velhos. Lá nos deparamos com as presenças de Raimunda Urbano, uma velha amiga, juntamente com sua filha Samara.

A intenção era simples: prestigiar o anfitrião e saborear sua hospitalidade.
Mas como acontece nas melhores histórias, aquilo que estava programado para nos prestigiar, o roteiro tomou outro rumo. Logo ao chegarmos, fomos surpreendidos com as presenças de Raimunda Urbano, uma velha amiga de alma vibrante, acompanhada de sua filha Samara — cuja graça e espontaneidade pareciam iluminar o ambiente. O que seria apenas um almoço cordial transformou-se num espetáculo de afetos e reencontros.

Raimunda, com seu jeito cativante e histórias que parecem bordadas à mão, tomou para si o centro das atenções. Samara, por sua vez, encantou com a leveza de quem não precisa dizer muito para ser notada. E assim, entre risos, lembranças e pratos bem servidos, o Mandacaru virou palco de uma cena roubada — não por vaidade, mas por pura autenticidade.

Há algo de mágico nesses encontros inesperados que transformam uma simples visita em um momento memorável. O restaurante Mandacaru, com seu charme interiorano, já é um convite à nostalgia — e quando figuras como Raimunda Urbano e sua filha Samara entram em cena, o roteiro muda de rumo com graça.
Samara, com seu sorriso largo e olhar curioso, parecia ter herdado da mãe não apenas os traços, mas também a habilidade de cativar. Raimunda, por sua vez, nos envolveu com histórias que pareciam saídas de um romance de cordel. O Mandacaru, naquela tarde, não foi apenas um restaurante — foi palco de afeto, lembranças e reencontros que nem Flavio, com toda sua hospitalidade, poderia ter previsto.

Flavio de Souza, homem de hábitos meticulosos e rotina quase litúrgica, surpreendeu-nos ao romper com o costume. Deixou seus afazeres — que normalmente seguem um compasso próprio — e assumiu o papel de cicerone com entusiasmo raro. Conduziu-nos pelo parque como quem revela um segredo bem guardado.

Entre trilhas sombreadas e o silêncio reverente da mata nordestina, Flavio nos apresentou a imponente estátua de Jesus Cristo, que se ergue como guardião no interior daquela paisagem. Seguimos até a torre, ponto mais alto do parque, onde o horizonte se descortina em uma visão panorâmica de tirar o fôlego. Lá de cima, a natureza parecia sussurrar histórias antigas, e o tempo, por um instante, desacelerou.

Foi um gesto simples, mas carregado de significado — como se Flavio, ao nos guiar, também nos permitisse enxergar com os olhos do coração.
E assim Raimunda Urbano e a filha Samara acabaram roubando a cena em que seríamos os protagonistas.

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