
Por Santo Tito
Os EUA têm em mãos os instrumentos para subjugar nossa Soberania Nacional
Outro dia o diretor deste Blog fez a seguinte pergunta: Qual é o objetivo real de Donald Trump em relação ao Brasil? Bem observando a fragilidade da Soberania Nacional, subjugar a América Latina afastando-o dos BRICS (um acrônimo que se refere a um grupo de países emergentes, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Este mecanismo internacional de cooperação econômica e desenvolvimento tem como objetivo promover a colaboração entre essas economias em crescimento. O termo foi criado em 2001 e, em 2011, a África do Sul foi adicionada ao grupo, formando o BRICS, o qual servirá como um fórum para articulação político-diplomática e cooperação nas diversas áreas dos países do Sul Global (que substitui às expressões de “Terceiro Mundo” e “subdesenvolvidos”).
Está nas mãos dos EUA todos os instrumentos para a consolidação desse intento. E isso não tem nada a ver com uma derrota antecipada. Senão vejamos: Ao verificar as vulnerabilidades brasileiras é previsível entender que a nossa comunicação digital depende de plataformas americanas (EUA); nosso sistema financeiro é atrelado ao dólar (EUA); nossas reservas cambiais estão guardadas sob o controle das regras do mercado internacional (EUA); nosso sistema de defesa militar está amarrado a acordos com os EUA e, além disso, enfrentamos profundas divisões internas. Parte da elite brasileira age como se aliada fosse do projeto imperial, muitas vezes sabotando o próprio país em nome de interesses pessoais, ideológicos ou financeiros. É nesse terreno fértil que os ataques externos encontram espaço.
A guerra híbrida já começou. Trata-se de uma combinação de lawfare (um termo que se refere ao uso ou manipulação das leis e procedimentos legais como um instrumento de combate e intimidação a um oponente – Magnitsky -), desinformação, chantagem financeira e manipulação institucional. E quem não estiver preparado com uma política clara de proteção nacional, será engolido. Não se trata de bravatas patrióticas. Trata-se de encarar a realidade e responder com maturidade, firmeza e estratégia.
Todos os ministérios, todos os poderes, todos os órgãos de controle e segurança do Estado brasileiro precisam entender o que está em jogo. Não é apenas um caso jurídico. Não é só economia. É um ataque direto à soberania.
É nesse momento que saberemos se os representantes de nossas instituições estão realmente imbuídos do seu real patriotismo ou estão aí simplesmente para mirar em interesses seus ou de familiares seus, negando até a própria cidadania. Pois para enfrentar alguém com poder de fogo para criar as suas próprias narrativas, não interessando se existe ou não uma correlação com a realidade dos fatos, têm que estar atento às dimensões e às consequências das suas decisões, já que um turbilhão de ataques desconhecidos irá desaguar num oceano cujos sobreviventes de sua profundidade ignoramos. É de se acreditar também que não é interesse nosso trocar uma soberania tão longeva pelos tempos de colônia, e entregar nossas riquezas de mãos beijadas.
