
Por Santo Tito
Os engenheiros ambientais e arquitetos têm funções distintas, mas complementares, na construção de um espaço. O engenheiro ambiental se concentra em aspectos ambientais, como a conservação e a sustentabilidade, enquanto o engenheiro arquitetônico se preocupa com a funcionalidade e a estética dos espaços. Ambos são essenciais para garantir que as obras sejam executadas de maneira eficiente e harmônica, contribuindo para um ambiente mais saudável e funcional.
Com esse conceito em mente, a obra mais importante que deveríamos construir seria uma parceria entre governo e residentes. Vejam o que aconteceu com o boteco mais ecológico de São Paulo do Potengi! Fica bem ali em frente ao comércio de Naldo de Zé Vicente. Uma verdadeira tragédia ambiental. E a culpa é de quem?… Calma aí! Não vamos criar culpados. Talvez a nossa astucia não tenha sido despertada para uma situação que acontece todos os anos. Se após a poda radical, durante o crescimento da planta, aqueles que desfrutam do prazer e das benesses de suas sombras refrescantes tivessem tido a iniciativa de fazer uma poda criativa, o maleficio não teria acontecido.
Maringá, no noroeste do Paraná, Brasil, é conhecida como a “Cidade Canção“. Com ruas arborizadas, infraestrutura exemplar e um dos maiores IDHs do país, é ideal para quem busca qualidade de vida. Coisas simples de serem alcançadas, pois a infraestrutura para esse tipo de realização existe. Já Manaus, a metrópole encravada na maior floresta tropical do mundo, vive um paradoxo climático e civilizatório: é uma cidade sem árvores. O que falta é decisão política, visão urbanística e sensibilidade cultural para traduzir essa riqueza em infraestrutura verde.
Na criação de um conceito de Diplomacia adaptado a um simples município, diríamos que é o conjunto de práticas, negociações e gestões realizadas entre representantes da sociedade civil e administradores da comunidade, com o objetivo de promover interesses mútuos ou solucionar conflitos. Sua principal função é fomentar o diálogo e a cooperação entre os diferentes, buscando solucionar questões de forma pacífica, mantendo um equilíbrio nas relações e respeito mútuo perante a instituição.
Agora é a hora de revisitar a cidade com os olhos bem abertos, para “rever”, “reolhar” e “reenxergar” aquilo que a cidade já propõe e que nunca percebemos. Já perceberam o quanto nossa cidade poderia estar linda desde a criação da Barragem Campo Grande, prestes a nos deixar? Que tal criar parcerias para adoção de uma árvore? A Prefeitura deu o pontapé inicial. Mas, como todos sabem, ela não pode criar um grupo específico de poda escultural, como já acontece com uns poucos moradores. Apenas decapitá-las.
A arte da boa diplomacia pode nos levar a uma excelente parceria. Por isso mesmo, como a esperança é a última que morre, sempre haverá um gestor que vai ver, olhar e enxergar o que muitos viram, olharam e não enxergaram.

