Porque hoje é domingo, achamos muito importante levar aos nossos leitores, nesse tempo de política, um pouco de reflexão sobre esta, notadamente sobre a questão do voto. Isso porque é notório a influência negativa que a corrupção e os atos de alguns políticos causam no conceito de importância que parte da população atribui ao ato votar.
Essas pessoas que sofrem muito essa influência costumam dizer que têm aversão à política, como comprovamos em algumas frases do tipo: “Política só tem ladrão”, “Eu é que não me preocupo mais com política, só voto em branco” ou “Voto em quem me der mais dinheiro, nenhum vai ser bom mesmo”. Para isso o escritor português José Saramago daria a denominação de cegueira branca, e os gregos antigos chamariam de idiotés, palavra que tomamos como base para criar “idiota”.
Posteriormente, pretendemos fazer melhores reflexões sobre isso. Mas, no momento, deixamos para nossos leitores um poema conhecido mundialmente, do grande dramaturgo alemão Bertold Brecht. Esse poema já serviu de inspiração para diversos movimentos políticos. Espero que ele proporcione a vocês uma boa reflexão, como ocorreu comigo.
Por Silvério Filho.
O Analfabeto Político
O pior analfabeto, é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha
Do aluguel, do sapato e do remédio
Depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que
Se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política.
Não sabe o imbecil,
Que da sua ignorância nasce a prostituta,
O menor abandonado,
O assaltante e o pior de todos os bandidos
Que é o político vigarista,
Pilanta, o corrupto e o espoliador
Das empresas nacionais e multinacionais.
Bertold Brecht
