Por Silvério Filho

Desde o início da Copa eu via na Alemanha o melhor time da competição. Além de grandes craques, os germânicos eram indiscutivelmente entrosados e bem armados taticamente, com defesa, meio e ataque muito bons. Mesmo com todas essas qualidades, eu, considerado por meus amigos um pessimista, jamais imaginaria o 7 a 1 catastrófico, do modo que veio ocorrer.
O Brasil começou relativamente bem, jogando como de costume. Porém, após o primeiro gol, o time, inexplicavelmente, apagou. Não eram mais os jogadores profissionais, experientes no futebol internacional que estavam em campo. Eles não foram mais eles mesmos a partir daquele momento.
O fato de o zagueiro Dante e o volante Fernandinho simplesmente não “acreditarem na jogada” quando o Klose ficou cara-a-cara com Julio César, no lance do segundo gol, deixou-me bastante surpreso, ao passo que demonstrou que aquele jogo, embora fosse semifinal de Copa do Mundo, parecia ser uma pelada, em que um jogador de defesa desiste de “ir em cima” e confia a sorte do time unicamente ao goleiro. Talvez, se não tivessem desistido, o rebote não sobrasse para o atacante alemão.
Mas o que importa são os fatos. E o fato é que a Alemanha dominou completamente a nossa seleção, como se jogasse contra um time pequeno. Os gols, todos com demonstração de um ótimo toque de bola, eram feitos sem que nossa equipe sequer se desse conta. Os jogadores tentavam se reerguer, mas a força que esboçavam se perdia no equilíbrio que não tinham. O lado psicológico dos nossos jogadores estava indiscutivelmente destruído, naquele momento. Como resultado, o Brasil entrou na roda da Alemanha, que jogou como jogávamos “nos tempos de ouro”.
Neste momento, porém, creio que não vale apena xingar e “excomungar” técnico e jogadores. Acredito que a maior punição para eles já foi dada: a vergonha e o vexame pelo qual passaram. Sinal disso foi o choro dos atletas e o que Felipão disse, após a derrota: “Hoje foi o dia mais triste da minha vida”.
Resta-nos esperar a Copa Russa, em 2018, já que a Copa das Copas termina, para nós brasileiros, com a “derrota das derrotas”.
