Mãe solteira, trabalhadora e estudante, a gari Ana Cristina da Silva
Santos, de 42 anos, representa fielmente o perfil da mulher potiguar
identificado na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2011
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados indicam que
as mulheres potiguares têm estudado mais, adentrado no mercado de trabalho e
estão, cada vez mais, chefiando suas famílias. O PNAD também revela que, apesar
dos avanços, os homens permanecem tendo um rendimento salarial maior.
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| Ana Cristina: mãe solteira, dona de casa, gari e estudante |
Com um filho de 12 anos para criar, Ana
Cristina se reveza entre os afazeres domésticos, o namorado, o trabalho na
Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana) que desempenha há seis anos, a
musculação e os estudos. Ela faz cursinho e pretende ingressar em uma graduação
de Serviço Social, no próximo ano, através do Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem).
Mulheres ainda ganham menos que os homens
O levantamento feito do IBGE também constatou a
inserção do púbico feminino nas universidades. De acordo com a pesquisa,
do total de 96 mil estudantes do ensino superior do Rio Grande do Norte, 60%
são mulheres. Quando fatiada-se a parcela de universitários de instituições
privadas, os números atingem 70%. Segundo a socióloga Berenice Bento, doutora
em Sociologia e professora do departamento de Ciências Sociais da UFRN, a maior
participação da mulher nas sociedade é evidenciada pelos cargos públicos que
elas têm assumido no Estado.
A pesquisa ainda apontou que os homens ainda chefiam a maioria das famílias do
Rio Grande do Norte, no entanto esses números sofreram uma queda desde a última
PNAD. Em 2011, a representação masculina como chefe de família era de 63,8% do
total, mas em 2009 o índice era de 64,1%. Segundo o analista do IBGE Ivanilton
Passos, também são os homens que, apesar dos avanços femininos,
permanecem tendo um rendimento salarial maior.
Violência
O Rio Grande do Norte possui cinco delegacias
especializadas de Atendimento à Mulher (Caicó, Mossoró, Parnamirim e duas
em Natal, sendo uma na zona Norte e uma na Ribeira). Segundo informações
repassadas pela Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Mulher e das Minorias
(Codimm), o número e homicídios registrados nas especializadas subiu de 12 para
27 entre 2011 e 2012 no Estado. Na cidade de Caicó, onde no ano passado
não se havia registrado nenhum caso, este ano foram contabilizados 12
assassinatos contra mulheres. Em 2011, foram instaurados 1.050 inquéritos para
investigar todos os tipos de crimes contra as mulheres nas cinco
especializadas, entre ameaças, assassinatos, lesões corporais e estupro.
O número de inquéritos instaurados subiu para 2.535. Somente da delegacia
localizada na Ribeira, o número subiu de 119 para 855.
Fonte: Tribuna do Norte

