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| Sandra, com seu filho Benício |
Por Silvério Filho
Poucas coisas nesta vida podem alcançar (se é que é possível) a beleza do amor das mães pela sua prole.
Começando no ventre, onde da mãe se origina outro ser humano, o amor é sentido na carne. Mudanças corporais, hormonais e psicológicas tratam de demonstrar, materialmente, aquele amor, que se impõe mesmo diante das dificuldades da gravidez. Segue-se, desde o início, a máxima de que não existe amor se as dificuldades não são capazes de prová-lo.
Neste sentido, a Cerimônia das Flores, da Ordem DeMolay, nos lembra que se fôssemos retratar o amor divino, não deveríamos utilizar a figura de um anjo majestoso, mas sim a imagem de uma mãe trabalhadora e cansada, com a fisionomia grave e meiga.
Pensando nisso, recordo-me de uma mãe (ou avó) que um dia vi na rua, subindo o morro de Mãe Luiza, em Natal. Ela parecia cansada, não se vestia bem. Seu filho (ou neto), com a farda do Colégio Maria Auxiliadora (de mensalidades caras), andava ao seu lado. A farda do menino estava velha, meio acabada. Deduzi que ele ou era bolsista ou a mãe fazia um esforço tremendo para pagar-lhe a escola. De qualquer modo, ela não ligava: subia com seu filho o morro, ao sol do meio dia, com um sorriso meigo e grave, de quem estava cansada, mas cujo cansaço nada mais era do que a materialização do seu amor.
Não tive como me fazer indiferente: vi, à minha frente, o retrato do divino.
Em memória daquela mulher, que eu sequer sei o nome, e em honra das nossas mães, desejo que cada um de nós, como diz a Cerimônia das Flores, possa guardar no nosso coração um santuário sagrado, reservado à memória do amor daquelas que nos deram a vida.
A todas as mães do mundo, sinal do divino no tempo e na história, o nosso agradecimento.

