
Reflexão sobre a Liturgia: sexta-feira da seguna semana do Advento – Ano A
Is 48,17-19
Salmo 1
Mt 11,16-19
A Liturgia de hoje nos exorta a discernir entre o bem e o mal, o bom e o mau caminho, para que possamos tomar a decisão definitiva das nossas vidas.
A primeira leitura começa com a declaração de que o Senhor é o nosso libertador. Na verdade, essa tradução não confere todo o peso do termo original, ‘Ga’al’ (גָּאַל), que seria melhor traduzido como ‘Redentor’. O Senhor é o nosso redentor. Nossa redenção, claro, é a nossa libertação.
Se ao menos tivéssemos ouvido o Senhor, diz o profeta. Essa mensagem é tanto um lamento como um sinal de esperança. Nosso Redentor vive (Jó 19,25)! Ele é o Senhor da história. Se perdemos tempo, temos fé que ainda é possível ganhar a eternidade.
O primeiro Salmo do Saltério é destacado pelos contrastes expostos em seus versos. Quem mantém a esperança no Senhor, vive. Quem se desvia do caminho, se perde para sempre. A mensagem é sobre o discernimento. Se quisermos mesmo ser salvos, precisamos fazer nossa escolha hoje.
O Evangelho de hoje nos ensina que o Senhor não é o que esperamos. Nós distorcemos o Evangelho quando tentamos encaixar o Senhor em nossa visão de mundo, na nossa política, em nossas expectativas e preferências. Nós é que devemos ser moldados pelo Senhor, não o contrário. Se não nos permitirmos isso, Ele será sempre uma decepção. Nunca estaremos satisfeitos enquanto o Senhor não parecer agir como queremos.
Esse é o caminho infernal. O Senhor e o verdadeiro fiel não são como nós esperamos ou queremos. Nós é que temos que imitar o Senhor e os Seus santos. É preciso permitir que o Senhor nos guie, seja para onde Ele desejar. Discernir é escolher o caminho do Senhor ou o caminho de Satanás.
O caminho do Senhor requer entrega total. Isso nos transformará no que Ele quiser e, muitas vezes, no que nós nem imaginávamos. O caminho de Satanás começa com acreditar em nós mesmos, no mundo, na ação política como a verdadeira transformação para a sociedade. Nosso caminho é um só: ser santos. Como diz a canção, é segurar na mão de Deus e ir onde Ele quiser nos levar.
Em Cristo, entregue à proteção da Virgem Maria,
um Papista
