Por Dinarte Assunção, Jornalista

A tragédia que abreviou a vida de Luiz Benes Leocádio Júnior (16) também levou a de Mateus Régis (17).

Sobre vítima e algoz desceu o véu escuro da noite, em um enredo que se repete cotidianamente em nossas vidas, mas só somos tomados de assalto pelo pavor quando ele se aproxima muito de nós.

Natural, pois o arrebatamento de jovens causa uma indignação e dor, sobre a qual só me ocorrem os versos de Chico Buarque para supor o tamanho desse vazio: “A saudade é o revés do parto. A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu”.

As mães choram.

Detenham-se na dor das mães, e não na indignação pessoal, não na sua revolta; não em seu senso de revanchismo; não no clamor por culpados imediatos.

Investiguem as origens pelas quais as mães de Benes e Mateus choram. Lá estão as raízes do mal a ser combatido se queremos ter a paz que rogamos.

A cadeia de eventos que levou um jovem de 17 anos a participar da ação que tirou a vida de um de 16 tem muito mais a ver comigo, com você, com todos nós, do que apenas com a falta de policiamento nas ruas; com a negligência de governantes; com o descaso que apontamos sobre as autoridades.

Qual é a minha responsabilidade sobre os jovens de meu tempo? O que tenho feito para garantir aos Mateus oportunidades que lhes reduzam os riscos de se embrenharem no caminho tortuoso do crime, levando às mortes tantos Benes?

Não adianta gritar por polícia; exigir porte de armas; enrijecer a legislação; pedir revanche.

Não adianta me trancafiar; passar cerca elétrica em minha casa; cercar-me de toda a segurança de que dispuser.

Não adianta pensar em mim, se lá fora nada faço para melhorar as vidas de tantos Mateus.

O mal estará sempre à espreita enquanto prevalecer esse pensamento.

E por isso as mães choram. As mães sentem a dor dos efeitos desses inimigos que não ousamos enfrentar, pois enquanto egoísmo e orgulho desfilarem faceiros, não haverá paz.

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