Por Silvério Filho

Neymar é, ainda que fora da Copa do Mundo, o craque da seleção brasileira, o “homem gol” do nosso time. Isso todos sabemos, desde o primeiro instante que ele começou a jogar defendendo a pátria, e não foi surpresa que continuasse a sê-lo durante a competição maior do futebol mundial. Por isso, a grande surpresa desta copa não foi o Neymar, mas o zagueiro brasileiro David Luiz.
David tem mostrado um futebol diversificado nesta competição, tanto nas atividades mais comuns atribuídas à defesa, como roubadas de bola, quanto nos lances não tão comuns à posição que ocupa, que necessitam de maior habilidade, como o gol que garantiu a nossa última vitória, batendo falta, de modo incrivelmente preciso.
Porém, o bom futebol não é o único fato que está chamando atenção neste xerifão brasileiro: a sua personalidade também faz com que se sobressaia. David é humilde como poucos jogadores, do alto da sua fortuna, o são. Como figura pública, dá um ótimo exemplo para os jovens, especialmente para as crianças, que o amam (vide o caso em que um pequenino invadiu o treino da seleção para abraçá-lo, ocasião em que foi mais do que bem tratado pelo craque).
David é exemplo, ainda, em sua dedicação, mostrando o amor que tem pela nossa camisa e pela torcida, que sofre junto, a cada jogo decisivo. É um exemplo pelo seu senso de dever frente à expectativa dos seus pares, algo que parece estar um pouco ausente nos jovens de hoje.
Como se não bastasse tudo isso, ele é nobre, não se apequena diante das rivalidades inerentes a um jogo de Copa do Mundo e, por consequência, não apequena a grandeza do esporte do qual faz parte. Demonstração disso foi seu apoio em relação ao craque da Colômbia e até agora artilheiro da competição, James Rodriguez, que saiu derrotado em jogo contra o Brasil. Enquanto o jovem craque colombiano saía de campo aos prantos, recebeu o reconhecimento do zagueiro brasileiro pelo belo futebol apresentado na competição.
Deste modo, e analisando a trajetória do David durante esta Copa, não há como se chegar a outra conclusão senão a de que sua mãe, inspirando-se naquele que matou o gigante Golias, não poderia ter escolhido nome melhor para o seu filho.
