
Cidade do Vaticano (AE) – Eram exatas 20 horas quando os sinos em Castelgandolfo soaram. Os dois representantes da Guarda Suíça que protegiam o palácio episcopal fecharam os imensos portões e deram por concluída, pelo menos temporariamente, uma missão que já dura séculos. O homem que eles tinham a responsabilidade de proteger já não era mais papa. Ontem, Bento XVI deu adeus ao seu pontificado e ao mundo, prometendo “obediência incondicional” ao próximo pontífice após ter aberto as portas da Igreja para sua primeira renovação em mais de 30 anos.
Joseph Ratzinger foi eleito em 2005 e, nos oito anos de pontificado, o caráter conservador prevaleceu em suas decisões e declarações. Mas a renúncia já começa a ser vista como uma das maiores reformas na Igreja em décadas porque, na prática, a decisão obrigou a instituição a se renovar.
A despedida começou pela manhã, quando Bento XVI recebeu cardeais na Sala Clementina, em seu palácio. Voltou a apontar para a dificuldade de seu pontificado e insistiu que era a hora de a Igreja se unir, em mais uma insinuação de que as disputas de poder estão minando a credibilidade da instituição. “Que o Colégio de Cardeais trabalhe como uma orquestra, onde a diversidade – uma expressão da Igreja universal – sempre trabalhe para um acordo elevado e harmonioso.”
Para os 144 cardeais presentes na despedida, o recado foi claro: este não é o momento de criar divisões ainda mais profundas; o conclave deve ser usado para reunificar as forças da Igreja.
Em seguida, do alto de seu trono, Bento XVI fez uma das declarações que ficarão marcadas: “Entre vocês está o próximo papa, a quem eu prometo minha reverência e obediência incondicional”. Segundo o próprio Vaticano, jamais na história um papa havia feito tal declaração. “Foi algo muito profundo e muito inovador”, destacou Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé.
Fonte: Agência Estado
