A beleza da paternidade

Por Silvério Filho (estudante universitário)  

É no momento da paternidade que o homem mais se assemelha a Deus, por dar origem a um ser  com sua imagem e semelhança, transmitindo seu legado de existência. Nesse momento ele se dá conta de que uma semente foi plantada, que uma parte dele agora coexiste separadamente do seu corpo, mas nunca separados em espírito.

Devido tamanha importância, o filho sempre terá um pouco dele, ora na fisionomia, ora na maneira de ser, ou em ambos. Por isso, mesmo que o filho não se relacione com seu genitor, essa ausência mudará a pessoa que viria a ser, mostrando, assim, a sua providencialidade na formação do ser enquanto indivíduo.

É uma pena, entretanto, o hábito atual das desestruturações familiares, não apenas de maneira física, mas principalmente acerca do afeto. Confundindo muitas vezes o fato de ser o educador do seu filho, com ser apenas o “banco” que paga as contas dele. Esta é uma visão muito pequena para um dom tão bonito dado por Deus.

Mas, no dia de hoje, eu prefiro citar alguns exemplos históricos, como o de Aristóteles, que já na Grécia Antiga escreveu várias reflexões sobre ética, que são referências até hoje, em homenagem ao seu filho amado, Nicómaco. Ou ainda Príamo, rei de Troia, que ao ter seu filho morto por Aquiles, arriscou sua vida e a do seu reino, para apenas pegar o corpo do guerreiro morto dentro dos exércitos gregos. Ou ainda, o exemplo mais célebre, que foi o de José, filho de Davi, que mesmo não sendo pai biológico de Jesus, aceitou a sua missão, e o amou incondicionalmente. 

Devido o amplo sentido dessa relação, creio que mais importante que dar um presente material aos nossos “velhos”, hoje, é dizer o quanto os amamos, e o quão importante são eles para a nossa existência. Tenho certeza que se assim o fizermos, poderemos compreender melhor a beleza deste momento.

Entre o neto que foste e o avô que serás, que pai terás sido?” (José Saramago)

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