
Por Santo Tito
A Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e regulamenta os lixões, estabelece diretrizes para a gestão e gerenciamento de resíduos sólidos no Brasil. A lei impõe a eliminação dos lixões e a substituição por aterros sanitários até 2014, com prazos prorrogados até 2024. A PNRS busca reduzir a geração de resíduos, promover a reciclagem e a reutilização, e incentivar AÇÕES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL. A Lei também estabelece a responsabilidade compartilhada, onde fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores, serviços públicos de limpeza urbana são responsaveis pelo ciclo de vida dos produtos.
O que nos parece é que essa Lei somente atinge as pessoas que não passam pelo ensino colegial. Ou lá, que é um lugar específico para se aprender a ler e escrever, algo que a meninada está desaprendendo com o advento da (IA) – inteligência artificial – não pode se ministrar boas maneiras de convivência com a natureza?
As vezes nos vem à mente a seguinte pergunta – “Será que existe um contrato de gaveta com a prefeitura permitindo que apenas os mais letrados utilizem o leito do Rio Potengi como lixão?”. Pois não é possível o que acontece com o nosso tão decantado rio. Quem manda limpar o seu terreno joga o mato lá; quando um animal morre é para que se manda a encomenda; quando um pneu é trocado é para lá que vai o velho; quando se faz um reparo numa residência quem recebe o aterro também é lá; o sofá envelheceu, os móveis saíram da moda, as latas da pintura, sucata de veículos, é tudo lá. Só não vai mais coisas porque um imbecil abnegado, para satirização dos observadores, faz a retirada de parte do que lá é colocado.
O descaso sobre o Rio Potengi mostra exatamente o abismo entre a lei e a realidade: despejo de móveis, pneus, restos de obras, animais mortos. Isso não é apenas descumprimento da PNRS, mas também crime ambiental. Infelizmente, muitas vezes a fiscalização é fraca, e a população não recebe nem infraestrutura adequada (como coleta seletiva eficiente) nem campanhas educativas consistentes.
Nesse 14/01/2026 o menosprezo chegou ao ápice. Ao retornar do sitio por volta de doze horas, este colunista ficou intrigado com a quantidade de papeis jogados naquele leito tão depauperado. Pelo seu conteúdo e para iniciar o ano novo com tudo novo, inclusive as dívidas, alguém fez a limpeza na casa e o lugar mais adequado não poderia ser outro. E não foi um inocente qualquer.
Nós precisamos fazer com que a comunidade entenda que o rio o Rio Potengi, em toda a sua extensão, nunca deixa de ter água e muita gente a usa para diversas atividades. Inclusive na irrigação do coentro, da alface, da couve que todos os dias fazem parte da nossa refeição. Água essa que já foi palco da morte de peixes por receber resíduos de óleo diesel, acaba se misturando com os dejetos dos esgotos que nele são despejados diariamente. O que se tornou normal em todos os rios do planeta.

