Por José Ferreira Rocha, escritor
No Sétimo Dia, o Senhor da abóbada celeste e dos mares; o Senhor dos ventos e das tempestades; o Senhor dos lírios perfumados e das acácias floridas; o Senhor das folhas verdes das samambaias e dos capins ressequidos do sertão; o Senhor da excelsa luz do Dia e do aquário anoitecido do Oceano; o Senhor que guarda o Universo e regula as Estações; o Senhor dos Exércitos e o Senhor da Vida que liberta a alma da servidão do corpo; no Sétimo Dia, conheceu a Fadiga.
Aquietou-se e dormiu o sono reparador, na Varanda Ventilada do Universo, sobre as dobras do Seu Manto Imaculado. Nesse instante, o primeiro relâmpago disparou sua lâmina de fogo, no ventre negro da noite, clareando a semente do trigo e o aguaceiro torrencial da chuva. O Universo acabava de ser criado! A Casa estava pronta para receber, no Futuro, o Seu Filho muito amado, o Salvador do Mundo, o Desejado das Colinas Eternas, Jesus de Nazaré. Aquele que jamais nasceria no lugar sagrado do Templo, onde o ouro e as pedras preciosas reluziam, mas numa Estrebaria para reerguer os que jaziam, no meio do lixo e da miséria.
Quando olhamos as marcas dos Seus Pés, no chão da História, um espanto imenso nos fere e nos domina. Este Menino disse-nos, um dia, Palavras tão profundamente ricas que d’Elas vivemos até hoje. Qual, então, o segredo deste Menino, quando Outros mais afortunados do que Ele, encheram a Terra com grandiloquência, marcaram o tempo com ferros ígneos e terminaram desaparecendo, como meteoros de outro, na Fímbria do horizonte? Este Menino que, anonimamente, atuou na História, conduzindo-a, secretamente, na direção intencionada pelo Mistério!
Pedra que não foi cortada por mão alguma e que, tendo derrubado os altares dos ídolos, tornou-se Pedra Angular. Conheceu alegrias e tristezas, indignação e piedade. Os Poderosos se inquietaram com Sua Presença, ao contrário dos Humildes, que d’Ele se aproximaram, sem receio e sem temor. Jesus não se limitou a “viver” Deus, era Ele o Próprio Deus. Não se tornou Deus, num momento qualquer, foi-O desde o começo. Na Sua Figura Humana, estava a Infinita Plenitude de Deus. Jesus, Aquele que veio inaugurar o Seu Reino para aqueles que acreditam que o utópico é mais verdadeiro que o factual.
Eis a Palavra Profética, eis a Palavra Ética. Eis a Palavra que tem ressonância nas profundezas do grito humano, eis a Palavra d’Aquele que sempre teve o Poder, não como Opressão e Aniquilamento, mas como Serviço (HIERODULIA). Diante deste Menino, tiremos nossas sandálias. Adoremo-Lo. Ele é o nosso Deus Humanado, Aquele que, do Alto da Cruz, morreu num derramamento divino de Amor.
