
O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), localizado no centro do município de São Tomé, distante 110 quilômetros de Natal, tem sido, nos últimos cinco meses, durante toda quarta-feira, o local de trabalho do médico cubano Rey Noeky. Na recepção, já por volta das 9h30, ainda havia cerca de 20 pessoas à espera de atendimento. Entre uma consulta e outra, o médico recebeu a equipe de reportagem d’O Jornal de Hoje em seu consultório e falou sobre os cinco meses que vem atuando no município, as dificuldades, expectativas, criticou os médicos cubanos que abandonaram o programa Mais Médicos e rechaçou qualquer possibilidade de retornar à Cuba antes do fim do programa.
A rotina de trabalho do médico Rey Noeky, assim como da sua esposa, a médica cubana Maylin Perez, começa às 7h30 e só termina quando o último paciente é atendido, normalmente por volta das 12h30. A consulta dos médicos cubanos é atípica. Dura, aproximadamente, 30 minutos. À tarde, eles realizam a visitas nos domicílios, seguindo as diretrizes do Programa Saúde da Família.
Rey Noeky discordou dos médicos que abandonaram o programa, mas entende os motivos que levaram eles a fazerem isso. O médico conta que antes de virem para o Brasil houve uma capacitação em Cuba com profissionais de saúde do Brasil e mostraram um cenário diferente da realidade encontrada quando chegaram ao Brasil. Por exemplo, haviam dito aos cubanos que todas as unidades de saúde eram bem equipadas, com internet, inclusive.
Os cubanos que atuam no município de São Tomé já estão familiarizados com a cultura e culinária local. “O clima é parecido, mas aqui é bem mais seco. Aos poucos vamos nos acostumando com a comida daqui. Feijão verde e galinha, por exemplo, não tem lá e já passamos a comer aqui”, disse Rey Noeky.
Jornal de Hoje
