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| Vavá, mostrando a alegria de costume, com seu amigo e sanfoneiro Zé Nilton |
Por Silvério Filho
Há exatas duas semanas, o Potengi
ficou mais triste: falecia o ex-prefeito de Barcelona e amigo nosso, Valter
Lopez, o popular Vavá. Digo que a região ficou mais triste pelo fato de que se
perdia uma pessoa de alegria, simpatia, receptividade e simplicidade
incontestáveis. E isso se viu muito bem na ocasião do seu sepultamento: onde
uma multidão formada por amigos, parentes, conterrâneos, admiradores e
eleitores acompanharam o cortejo fúnebre com tristeza e respeito no olhar.
Porém, nunca é demais lembrar que
a memória daquele homem não deve ser restrita ao dia da sua despedida. A sua história,
que percorreu várias décadas, é indiscutivelmente maior do que a sua partida.
Na vida política, como bem lembra
o meu pai, Silvério Alves (por Vavá chamado de “o reitor”), Valter Lopes
entendeu como poucos a alma e os anseios do homem do campo e da cidade; se
doou, também como poucos, à vida pública, prescindindo, muitas vezes, das suas
necessidades pessoais para que pudesse atender os mais necessitados.
Já o Vavá, face pessoal deste
homem público (como bem lembrou Johan Adonis), este ficará ainda mais na minha
memória. Diversas foram as vezes que, mal tendo nascido o sol, ele ligava para
minha casa à procura do “reitor”, na ansiedade para conversar sobre política ou
sobre qualquer outro assunto do dia-a-dia. Ele tinha no meu pai, o “reitor”, um
amigo fiel, um confidente, com o qual poderia contar, sempre que precisasse.
Ele sabia também que o sentimento era recíproco.
Quanto a mim, “o flamenguista”
(como ele me chamava), sempre tive em seu Vavá um homem que sabia ser culto na
simplicidade do dia-a-dia. Dele guardarei, especificamente, o sorriso largo que
deu quando falou comigo, na última vez que o vi, no aniversário de Seu Elino da
COSERN, rodeado de amigos.
Por tudo isto, me sinto como se sentia Nelson Gonçalves: “Naquela mesa tá faltando ele, e a saudade dele está doendo em mim”.

