OPINIÃO: Vilma, o “Levanta-levanta” e a desilusão do presente


Por Silvério Filho, estudante de Direito

Embora um pouco atrasado, resolvi escrever algumas palavras sobre o que vi no comício de domingo, em São Paulo  do Potengi, com os candidatos  ao Governo e ao Senado, Henrique e Vilma, respectivamente. 

O comício, sem dúvidas, pelas lideranças que lá estavam, deixou a desejar em termos de público. Quanto a  isso não há discussão. A valoração que aqui cabe é em relação aos diversos paralelos possíveis entre os comícios anteriores que tinham a presença da “Guerreira” e este do último domingo. 

Vilma não era a das campanhas anteriores. Sem graça, a ex-governadora, sempre bem aclamada em nosso município, parecia não saber (mas ela sabia sim) o que estava fazendo em cima daquele mini-palanque-móvel. Aparentemente, não sabia onde estava.

Simples: ela mostrou-se pedindo voto para quem (supostamente, é claro) sempre combateu. Havia basicamente negligenciado aqueles que a apoiaram desde sempre em nosso município, para defender aqueles que sempre a criticavam e até xingavam-na. Encontrava-se “aos beijos a abraços” com aqueles que sempre lutaram contra os interesses políticos de seus (antigos) correligionários locais. Qualquer pessoa, com um mínimo de bom senso, ficaria constrangida diante de tamanha quebra de palavra e desrespeito com seus próprios eleitores. 

Não bastasse isso, Vilma parecia (pelo menos essa foi a minha impressão) apertar um pouco os olhos, como quem quer enxergar mais longe. Possivelmente ela procurava o “levanta-levanta”, tradicionalmente feito por milhares de pessoas na Avenida Bento Urbano, em suas visitas ao nosso município. Talvez, ao não vê-lo, ela finalmente tenha se dado conta de que não terá mais o “mar vermelho” de outros tempos em seu apoio, mas sim terá de se acostumar com águas de outras cores, não tão transparentes, e em menor quantidade.

Ela com certeza preferiria que aquela Bento Urbano vazia que recebeu a ela e a Henrique fosse apenas uma miragem. Felizmente, não era.  

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