Reflexões do 2º Turno I: Sobre Henrique e o Executivo

Por Silvério Filho, estudante de Direito

Como é do conhecimento de todos, o improvável aconteceu no Rio Grande do Norte: Henrique Alves perdeu a eleição, mesmo com toda a sua força política e com o apoio da grande maioria dos prefeitos e das lideranças potiguares. 

Líder nas pesquisas durante o primeiro turno, o candidato tentou transparecer a imagem, por onde passava, de que tinha mudado, abandonado os radicalismos de outrora e que iria utilizar toda a sua experiência enquanto parlamentar para administrar o Estado. Não há como discordar do fato de que Henrique tem experiência na vida pública. Já em relação a afirmação de que ele tinha abandonado os radicalismos de outrora, pelo contrário, não havia como não desconfiar.

Quando da abertura das urnas no dia 5 de Outubro, Henrique soube que não conseguiu arrematar a campanha de primeira e, embora ainda líder nos votos, teria de disputar um segundo turno com Robinson Faria. Foi o suficiente para Henrique voltar a ser o que era, radical, destratando seu adversário e enchendo seu programa eleitoral de injúrias e difamações, o que rendeu ao outro candidato, inclusive, diversos direitos de resposta no programa eleitoral.

O que “quebrou as pernas” do peemedebista foi o radicalismo que carregou durante boa parte da sua vida pública e que veio, por isso, a culminar em altos índices de rejeição Estado afora.Por força desta rejeição que o acompanha, o candidato restou ultrapassado nas pesquisas por Robinson, que teve a coragem política de enfrentá-lo nas urnas e que, durante a campanha, cresceu no apoio popular.  

Foi impossível não notar o espanto de William Bonner e Eraldo Paiva ao divulgarem, na Rede Globo, a pesquisa boca de urna do Ibope para o Estado do RN, dando conta de que Robinson tinha 53% e Henrique 47%. No momento de surpresa, ressaltaram a grandiosidade da derrota, lembrando que o segundo colocado é o “o terceiro homem da República”, além de uma das maiores lideranças do PMDB nacional e o deputado federal com maior número de mandatos seguidos (11) em atividade. 

No fatídico ano de 2014, Henrique se deparou com a maldição do Executivo, que já o perseguia nas suas tentativas de ser prefeito de Natal. Diferentemente dos anos anteriores, porém, desta vez a maldição veio no mesmo ano das eleições para a Câmara Federal, fato que sacramentou as suas férias da vida pública, após 44 anos ininterruptos.

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