Por Silvério Filho

Como existe a distinção entre espaço comum (aquele que utilizamos para a nossa vida quotidiana) e espaço sagrado (aquele que deve ser utilizado apenas para se relacionar com Deus), também há a distinção entre tempo comum e tempo sagrado.
O gregos antigos tinham duas palavras para designar o tempo: chronos e kairos. O primeiro designaria o tempo cronológico, o suceder de dias, horas etc. O segundo, por sua vez, pode ser entendido como um tempo oportuno. Analogicamente, a vida de uma árvore seria representada pelo chronos, ao passo que o momento da colheita dos seus frutos maduros seria representado pelo kairos.
Deste modo, a época do Advento é kairos, tempo oportuno em que meditamos e esperamos a visita de Deus, no Natal, onde o Verbo Divino, por amor à humanidade, fez-se carne no Ventre Santo de Maria.
Neste período, refletimos sobre uma dupla espera: a do nascimento de Cristo, na simplicidade de uma manjedoura, e a da sua Volta Gloriosa (segundo Advento). Nos dois casos, a Igreja nos convida a orar, refletir, vigiar e, acima de tudo, ter esperança, virtude fundamental, enquanto aguardamos a vinda de Jesus.
A virtude da esperança é dom de Deus que é como uma chuva que cai numa lavoura, frutificando-a. Como neste exemplo, para que a chuva faça frutificar o solo, é necessário que haja uma lavoura plantada.
Neste momento sagrado do Advento, portanto, devemos cultivar nossa lavoura, vigiando e preparando-nos para o dom da esperança, que desembocará no Natal, momento em que Deus nos visita por meio do nascimento do Seu Filho, e nos visitará novamente, através da sua volta definitiva no encerrar dos séculos.
É tempo de agirmos segundo o desejo de São Paulo, direcionado aos tessalonicenses: “Que o próprio Deus da paz vos santifique totalmente e que tudo aquilo que sois (espírito, alma, corpo) seja conservado sem mancha alguma para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!” (1Ts 5, 23).
