Meu pai Pedro Raimundo: “Naquela mesa está faltando o senhor”

Silvério Alves

Meu pai, Pedro Raimundo da Silva, 89 anos de idade, casado há 58 anos, com dona Joana Alves da Silva, com quem teve 12 filhos, 14 netos e um bisneto, somando-se seis genros e quatro noras, nasceu no dia 11 de fevereiro de 1926, no Sítio Boa Vista, em São Paulo do Potengi, sendo filho de Joaquim Raimundo e Tomásia de Azevedo.

Agricultor por vocação, viveu trabalhando na terra, onde constituiu e criou sua família. Ainda jovem, numa época em que o atendimento de saúde era bastante precário, especialmente para os mais necessitados, ele vendo o sofrimento dos mais simples, num curso oferecido pelo Centro Social São Paulo, presidido por Monsenhor Expedito,  aprendeu a aplicar injeção e passou a atender a quem o procurava na nossa comunidade, Boa Vista, e vizinhança, sem cobrar nada.  Ele quando falava do assunto, costumava brincar, dizendo: “Estudei pra ser médico, aprendi a aplicar injeção”.

No começo dos anos 60, fez parte de um grupo de agricultores potengienses que fundou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Paulo do Potengi (o 1º do Brasil), chegando a ser seu presidente. No início dos anos 70, quando chegou a aposentadoria para o homem do campo, ele foi 60 vezes (toda semana) à cidade de Lajes, conduzindo os agricultores para se aposentar, pois era ali que funcionava o Escritório do Governo Federal de Aposentadoria.

Com Monsenhor Expedito Medeiros, de quem era amigo pessoal, juntamente com outros evangelizadores, ajudou a criar e a manter vivas as Comunidades Eclesiais de Base.

 Pertenceu a ACR, Animação dos Cristãos no Meio Rural, movimento católico que existia em todo o Nordeste brasileiro. Fazia Parte do Encontro de Casais com Cristo, era devoto do Santíssimo Sacramento e de Maria Santíssima, não perdia a feira nem uma missa aos domingos. Um homem de bem com a vida, com a família, com os amigos, com a comunidade e com Deus.

Uma pessoa simples, que adorava conversar. Junto com minha mãe, educou os seus filhos, orientando-os para os caminhos do bem, sendo que todos estão seguindo os seus ensinamentos, baseados nos princípios da moral e da ética cristã.

Daqui a meu pai, nossa mais sincera homenagem (de todos os seus filhos, netos, bisneto, noras, genros  e familiares), na certeza de que ele, como disse São Paulo, combateu o bom combate, guardou a fé, e está na presença do Pai de Infinita Misericórdia, contemplando a Glória Eterna, intercedendo por todos nós.

Pra finalizar, cito versos de músicas bastante conhecidas do nosso povo: 

“Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas”.

“Meu querido, meu velho meu amigo”

“Naquela mesa está faltando ele e a saudade dele está doendo em mim”.

Valeu papai, valeu meu heroi, fique com Deus.

2 Comentários

  1. Meu amigo, Silvério, conheço a dor dessa perda. Desejo a você e a todos os familiares muita força nessa hora difícil.

  2. meus cinceros sentimentos de pesares a você extensivo todos seus familiares.Nil SOARES,ACS aqui de Ruy Barbosa rn

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