
Por Silvério Filho
A Semana Santa é o período em que vivemos a época litúrgica mais importante do ano, pois é o momento em que celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, fundamento maior da nossa fé. [1]
Este período especial começou com a entrada simples, mas triunfal, de Cristo em Jerusalém, sendo acolhido por pessoas que, portando ramos e matos, clamavam: ”Hosana ao Filho de David. Bendito o que vem em nome do Senhor. (Lc 19, 38 MT 21, 9)”. Na ocasião, Nosso Senhor começava a sua última caminhada, montado na simplicidade de um jumento (Mc 11, 7-11), conforme previu o profeta (Zacarias, 9, 9), durante a celebração da Páscoa Judaica, para culminar com a Páscoa Cristã.
Por sua vez, na Quinta-Feira Santa, por nós vivenciada no dia de hoje, comemora-se a instituição da Santíssima Eucaristia, na Santa Ceia do Senhor. O evangelista que melhor retrata esta passagem é São João, dedicando a ele 5 capítulos, desde o Lava-Pés até a oração sacerdotal de Jesus.[2]
É neste momento que Jesus, já sabendo que seria traído por um dos seus e que viria a morrer no dia seguinte, confirma, mais uma vez, a simplicidade e a beleza do seu amor por nós, quando humildemente, mesmo sendo Deus, faz as vezes que eram atribuídas aos escravos, lavando os pés dos seus apóstolos.
Depois disso, o Senhor promete que não nos deixará sós, pois mandará o Espírito da Verdade (João 14, 16-17), que nos acompanha até os dias de hoje, por meio da Igreja.
Demonstrando seu amor incondicional, naquele dia Cristo institui o Sacramento da Santíssima Eucaristia (onde se faz presente), ao oferecer ao Deus-Pai seu corpo e seu sangue, sob a espécie de pão e vinho, e os entregar aos seus apóstolos, para que comessem e bebessem, mandando que continuassem a fazê-lo em memória dele (fundação do sacerdócio).
Tais promessas se renovam na Missa, na celebração da Eucaristia, onde, pelas mãos do padre, um simples pão se torna o próprio Corpo do Senhor.
Cientes deste amor e destas promessas, e confiantes de que Cristo continua presente entre nós por meio do seu corpo mistico na Terra (a Igreja), cabe-nos, nesta Quinta-Feira Santa, estar abertos a este chamado que Deus nos faz, compreendo que todo amor Dele parte e para Ele deve ser direcionado, de forma simples, mas sincera, para que possamos congregar com nossos irmãos e com Ele num só corpo: o Corpo de Cristo. [3].
[1] 1 Coríntios, 15, 14. “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”.
[2] https://www.youtube.com/watch?v=jsvTq2BRavU
[3] Ubi Caritas : https://padrepauloricardo.org/aulas/quinta-feira-santa-ubi-caritas?utm_content=bufferc9565&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer
