Ao meu avô Zé Paulo, “O Xerife”

Por Silvério Filho

O Xerife, ao lado da matriarca Laurita e da neta Laurinha, o seu maior xodó 

Faleceu ontem (06) o meu avô materno, José Paulo da Silva, exatos 3 meses após o falecimento do meu avô paterno, Pedro Raimundo (06/03). 



Apelidado por meu tio Ivanaldo de “O Mais Importante”, Zé Paulo fazia jus ao codinome: era um patriarca no sentido estrito da palavra, rigoroso na criação dos filhos, no modo de se portar à mesa, de se vestir (conta-se nos dedos de apenas uma das mãos as vezes que o vi de bermuda) e de se expressar, sempre de modo respeitoso. 

A rigorosidade do meu avô, porém, não era um defeito, mas tão-somente uma característica de sua personalidade, formada por diversos outros detalhes, como os momentos de sorrisos fartos, brincadeiras sobre acontecimentos do passado, sua receptividade única em relação às visitas e a sua relação com a netarada. O rigor restou para os filhos; aos netos e bisnetos, como bem ressaltou meu primo Leonardo, só as benesses. Bom pra nós. (rsrs)



Foi com essa personalidade que “O Xerife” (desta vez o codinome é de autoria de tio Jairinho) criou 13 filhos até à idade adulta, sem que nenhum desse para o mau caminho. Foi com essa força, que venceu um câncer, problemas de coração e a perda de dois filhos homens, dentre os quais o mais novo, meu tio Pretinho, num desses fatos incompreensíveis em que a natureza permite contrariar-se, deixando que a prole se vá antes dos genitores. 



O patriarca utilizou de sua força até os últimos instantes, quando não mais resistiu e se permitiu descansar. Momento de tristeza, mas, não menos que isso, momento de esperança.

Para nós cristãos, cabe ter por ele a felicidade e a esperança que São Paulo teve em Fl 1, 23, a de partir para estar com Cristo, ou a certeza que Santa Terezinha do Menino Jesus apresenta ao dizer que não se morre, entra-se para a vida. O corpo veio do pó e ao pó retorna, mas a alma, para quem tem fé, segue para morada do Pai, até o dia do Juízo, em que terá o corpo definitivo, glorificado, impassível de corrupção. 



Ciente desta esperança, proponho-me a repetir a pergunta de São Paulo em 1 Coríntios, 15, 55 (que eu já havia repetido por ocasião da morte do meu avô paterno): “Onde está, ó morte, a tua vitória?” Respondo, novamente: não há vitória da morte. A morte foi derrotada pela Ressurreição Gloriosa de Cristo, que a venceu, para que nós, por meio da fé e da Sua graça, pudéssemos vencê-la nós também.

Até o dia em que no veremos na morada eterna, meu avô, dono permanente da patente de Xerife.

Um comentário

  1. Silverio Filho, lindo texto e me sinto honrada da minha Laura ter tido Jose Paulo como referencia de um super avo.
    Momentos de muita tristeza…foi sempre um grande homem, isso nos enche de orgulho para sempre…. Honesto, digno, sábio, conselheiro, amigo, um pai maravilhoso, que merece todo o nosso aplauso, pra vc MAIS IMPORTANTE o nosso reconhecimento e agradecimento por tudo que foi pra todos nós!!! Em nome da nossa familia, obrigado por expressar o seu orgulho de fazer parte do livro da vida de Jose Paulo. Tia Marcia

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