
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva aposta na vitória dos democratas nas eleições legislativas para reequilibrar a relação de força de Donald Trump em seu avanço na América Latina e na ingerência no Brasil. A esperança do Palácio do Planalto e do Itamaraty é de que, com uma eventual maioria no Congresso americano, os democratas possam servir de “freio” às ofensivas do republicano e ações desestabilizadores na região – uma política conhecida como “Doutrina Donroe”.
Desde 2025, o Brasil vem sofrendo medidas de sanções, tarifas e mesmo a fuga de Flávio Bolsonaro, com a ajuda dos EUA. Ao longo dos meses, porém, tanto o governo brasileiro como atores independentes costuraram uma relação de proximidade com senadores e deputados democratas, tentando criar uma aliança e expor as violações por parte de Trump.
O objetivo era ainda o de permitir que, a partir de 2027, Lula possa ter mais espaço para manter sua política externa independente, tanto na relação com potências como na construção de canais pragmáticos com os demais governos na América Latina.
Foram pelo menos dez manifestações e cartas por parte dos democratas, cobrando a Casa Branca por atitudes perturbadoras no Brasil, inclusive durante o processo eleitoral do país. Nos bastidores, deputados progressistas no país e observadores viajaram até Washington para apresentar a situação brasileira a congressistas americanos.
Lula ainda fez questão de se reunir com alguns desses representantes, cada vez que foi aos EUA. Em setembro, por exemplo, destinou parte de sua agenda para encontros com o senador Bernie Sanders e com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani,
Apenas na última semana, por exemplo, quase 30 deputados democratas enviaram uma carta para o secretário de Estado Marco Rubio cobrando explicações sobre qual teria sido o papel do governo Trump na fuga de Flávio Bolsonaro.
